sábado, 6 de agosto de 2016

O Livro sua Majestade XX - On the Road

Seguindo com os livros publicados no ano de meu nascimento chego a uma grande obra: "On the Road".
Escrito pela americano Jack Kerouac (1922-1969) esta obra proporciona ao leitor prazer, conhecimento e belos textos.
On the Road exemplificou para o mundo aquilo que ficou conhecido como a "geração beat"  e fez com que Kerouac se transformasse em um dos mais espetaculares, controversos e famosos escritores do seu tempo.
Kerouac foi considerado o pai dos "beats" e por isso teve muito mais sucesso de público do que de crítica.
Jack sempre foi muito tímido, ainda que parecesse durão. 
Jack Kerouac
On the Road foi escrito ininterruptamente. Jack emendou vários rolos de papel manteiga para não perder tempo trocando papel na máquina de escrever. Escrevia de 5 a 7 horas por dia e embora eventualmente fizesse uso de drogas, declarou que só tomou café para escrever "On the Road". 
Cena do filme
De qualquer forma é uma das obras ressaltando a vida e a liberdade.
On the Road também foi levado ao cinema, através do diretor e produtor Francis Ford Coppola, onde fez muito sucesso.
A história se desenrola em viagens da costa leste à costa oeste dos Estados Unidos.
Os protagonistas Dean Moriarty e Sal Paradise se conhecem através de amigos comuns e nasce uma profunda admiração e amizade entre eles.
Nas viagens entre Nova Iorque e Los Angeles, Nova Iorque e São Francisco, entre outras, acontecem tantas livres aventuras que talvez seja isso que tenha inspirado a geração "beat".
O livro é tão bem escrito, tão bem narrado que não é difícil entender porque se tornou o maior clássico da geração "beat".
A liberdade perseguida pelos jovens não vinha fácil. Fome, frio, conflitos, falta de dinheiro, entre outros problemas, acompanhavam as viagens e as aventuras deles.
Mas, a amizade era tão profunda que os problemas por maior que fossem pareciam não atrapalhar.
Porém, uma viagem ao México muda o rumo da história.
Claro que não vou aqui contar como terminou.
Posso dizer que eu coloco "On the Road" entre os melhores livros que já li.
Independente da idade física (a intelectual é que interessa) é uma leitura daquelas que chamamos de obrigatória.
Ache um tempo e não deixe de ler.

Professor Mario Mello






quarta-feira, 3 de agosto de 2016

O Livro sua Majestade XIX - Fim de partida

Samuel Beckett
Seguindo com os livros publicados no ano de meu nascimento, descobri "Fim de Partida" de Samuel Beckett.
Samuel Beckett é um dos mais renomados escritores de novelas considerado como um dos fundadores do teatro do absurdo.
Nascido em Dublin em 1906 Beckett usa uma simetria irônica entre fato e fábula.
Autor da famosa peça de teatro chamada "Esperando Godot" Beckett escapou por pouco da polícia alemã, a Gestapo, por ter se engajado na resistência francesa na segunda guerra mundial.
Assim, "Fim de Partida" foi escrito na atmosfera do pós guerra.
Os protagonistas Hamm e Clov, giram em falso reclusos num abrigo, sofrendo com a escassez de alimentos e remédios.
A leitura não é muito fácil pois, tratando-se de novela (teatro) a imaginação dos cenários fica por conta do leitor.
Os personagens estão submetidos a um constante desconforto o que de certa forma também desconforta o leitor.
Diálogos sobre a condição humana e a solidão são travados incessantemente pelos protagonistas.
Isso os leva a reduzirem-se a uma espécie de lixo, detrito da memória, ruína familiar, ou seja, são meros sobreviventes das atrocidades da guerra.
É um texto de uma relevância artística muito grande pois em vários países foram montadas peças de teatro com o "Fim de Partida".
O livro traz várias ilustrações com as peças de teatro montadas nos diversos países.
É um livro diferente dos tradicionais, mas para os amantes da leitura vale a experiência de ler uma novela consagrada mundialmente.
Samuel Beckett realmente foi um grande autor.

Professor Mario Mello

quarta-feira, 13 de julho de 2016

O Livro sua Majestade XVIII - O Barão nas árvores

Outro dia vendo publicações no facebook apareceu uma que me interessou e fui atrás.
A publicação sugeria um site que listava os livros editados nos diversos anos e por consequência no ano de seu nascimento. 
Esta era a chamada da publicação.
"Descubra os livros publicados no ano de seu nascimento".
Pois bem, descobri um dos livros publicados no ano que nasci e comprei-o.
Chama-se "O Barão nas árvores" do escritor Italo Calvino.

Italo Calvino nasceu em Cuba em 1923 mas dias após seu nascimento mudou-se com os pais para a Itália onde viveu toda sua vida, até falecer em 1985.

Obviamente que este livro não é um "best seller" e por isso me atraiu ainda mais.

Esta divertida história é de um jovem barão chamado Cosme Chuvasco de Rondó que num dia almoçando revoltou-se com a comida costumeira e resolveu que iria subir nas árvores e nunca mais descer.
Tamanha desobediência grave aos pais nunca tinha se visto à época.
O novo mundo de Cosme é cheio de aventuras, obstinação e exemplo de ser autossuficiente. 
Sem dúvida é uma das mais belas e emocionantes histórias que já li.

O sublime ato de rebeldia do jovem barão inaugura um novo mundo para o protagonista cheio de ideias e experiências com muita inteligência e humor.

Imagine-se vivendo em cima de árvores. 
Na história tem até uma passagem onde o glorioso Napoleão Bonaparte se encontra com Cosme e diz: "se eu não fosse Napoleão gostaria de ser Cosme Chuvasco de Rondó". 

Sensacional!!!!!


Cosme tornou-se no início da história motivo de chacota para a família, porém depois que ele começou a mostrar uma capacidade de liderança junto à comunidade, virou um personagem querido por todos e ouvido por todos.

Não contarei mais detalhes da história, pois não é este meu objetivo nesta escrita.
O objetivo é recomendar uma obra quase que desconhecida, mas de uma profundidade imensa.
Amor, respeito, inteligência, astúcia, preocupação, ciúme, observação são algumas das características do protagonista Cosme durante toda história.

É minha primeira leitura de Italo Calvino e de excelente impressão.
História realmente fascinante, emotiva e intrigante.

Vale a pena a leitura.

Professor Mario Mello







domingo, 3 de julho de 2016

O Livro sua Majestade XVII - Guerra de Gueixas





Este livro publicado originalmente em 1916 foi considerado uma obra muito ousada para a época.
Tanto assim, que ficou até 1960 circulando em edição censurada onde as passagens mais eróticas foram removidas.

O autor Nagai Kafu (1879-1959) desde sua adolescência interessou-se pela tradicional cultura japonesa. O universo boêmio das gueixas é um dos temas centrais de sua obra.

As gueixas fazem parte da cultura japonesa e do imaginário popular, porém o livro está longe de propor uma visão romântica delas.
Para se tornar uma gueixa as meninas precisam passar por um longo treinamento que se inicia por volta dos 13 anos.

Resultado de imagem para gueixasAs gueixas eram treinadas em artes, canto, dança e precisavam ser muito dóceis com seus benfeitores. 

No livro, a protagonista Komayo passa por inúmeras situações complicadas e sofridas durante sua vida de gueixa.

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Embora o autor traga um lado artístico das gueixas da época em que se passa a história, a promiscuidade veio a tona na gueixa que o autor Kafu descreve no livro. 
Ela é a criatura de coque, maquiagem e quimono fadada apenas a ser a companhia submissa para o deleite masculino.

Longe de ser a visão romântica das gueixas, Komayo mostra-se forte e luta com seus sentimentos até o fim da história.

Assim, Guerra de Gueixas trata-se de uma obra muito bem escrita e cativante até o final. 
A cultura oriental sempre causa um deslumbramento no imaginário ocidental.

O livro traduzido neste ano de 2016 aqui no Brasil, embora não seja um best seller, não pode deixar de ser lido pelo amantes da leitura e principalmente por aqueles que gostam da cultura oriental.

Assim, boa leitura e feliz viagem aos bairros boêmios de Tóquio do início do século XX.

Professor Mario Mello






sábado, 4 de junho de 2016

O Livro sua Majestade XVI - A última grande lição


Reflexões sobre amor, amizade, medo, perdão e morte estão presentes nesta obra que classifico como imperdível.




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Edição especial

Quando soube desse livro, pelo título imaginei que fosse algum livro de auto-ajuda.
Não sou contra os livros de auto-ajuda, mas acho que algumas obras banalizaram um pouco a inteligência humana e acabaram por cair numa mesmice do "vamos lá que dá".

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Como a ELA age nos nervos
Quando fui saber mais sobre "A última grande lição" vi que era uma história verdadeira de um professor que contraiu uma grave doença chamada ELA (esclerose lateral amiotrófica), que vai provocando a perda gradual de força e coordenação muscular, diminuindo os movimentos da pessoa (mas não a lucidez) até chegar no pulmão e aí consequentemente à asfixia e à morte.

O livro foi escrito por um famoso jornalista esportivo americano, Mitch Albom, que foi aluno do Professor Morrie Schwartz na universidade.
Vinte anos após a formatura o aluno assistindo um programa de televisão vê em uma reportagem seu velho professor de filosofia e sociologia, a quem sempre chamou de "treinador", definhando com a doença e à beira da morte.
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Mitch com o professor Morrie

Mitch não teve dúvida: foi ao encontro de seu velho professor.
A partir desse encontro foram 14 aulas, sempre as terças-feiras para Mitch tentar sorver seus últimos ensinamentos.
O assunto era o sentido da vida. A lição era tirada da experiência do velho professor. Não havia notas, mas havia exames orais toda semana. Não havia compêndios, mas muito tópicos eram debatidos.




Mesmo Mitch sendo um consagrado e rico profissional de jornais e revistas, viajava toda terça-feira cerca de 1500 km para "a aula" com seu velho mestre.

O livro é simplesmente arrebatador para com nossos sentimentos.

Como professor, que sou, fiquei muito emocionado com esta história de reconhecimento e amor de um aluno (o livro cita dezenas de outros ex-alunos) para com seu mestre.

Dizia o Professor Morrie:
"O universo é demasiado harmônico, grandioso e avassalador para se acreditar que é tudo obra do acaso."

Leitura imperdível!!!!

Professor Mario Mello






quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

Os Oito Odiados - A oitava maravilha de Tarantino



O filme lançado aqui no Brasil dia 07 de janeiro de 2016, chamado "Os Oito Odiados" do consagrado diretor Quentin Tarantino, sem dúvida é sua oitava maravilha.
Depois de "Django Livre" lançado em 2013 Tarantino se supera e produz esta maravilha de faroeste.
Resultado de imagem para os oito odiadosComo me criei vendo filmes de faroeste em cinema onde as cadeira ainda eram de madeira, este gênero me fascina e me comove.

Assistir "Os Oito Odiados" é uma obrigação (no sentido de prazer) para os amantes do faroeste. 
Digo que  se superou pois ele conseguiu criar um filme onde não há herói. 
Resultado de imagem para os oito odiadosTodos os personagens tem suas glórias, porém também suas mazelas.
Resultado de imagem para os oito odiadosDiria eu apenas: genial !!!!!

Resultado de imagem para os oito odiadosCom Interpretações antológicas, principalmente de Daisy Domergue (Jennifer Jason Leigh) e do Major Marquis Warren (Samuel L.Jackson) Tarantino conseguiu dar ao filme, talvez o que ele tenha de melhor: não tem o herói convencional.

Resultado de imagem para os oito odiadosComo livros, temos também nossos filmes preferidos . Este é um dos melhores faroestes que já assisti. Quase toda a trama acontece dentro de uma casa de abrigo para viajantes no meio das montanhas geladas de Wyoming. Caçadores de recompensa e bandidos são os protagonistas. A história é tão boa que não necessita de grandes cenários. Os personagens ficam confinados na cabana pois uma nevasca severa não permite que continuem suas viagens.

 Eu tenho alguns motivos para recomendar o filme, mas veja os oito motivos que Quentin Tarantino dá para assistir o filme:

1. Enio Morricone é quem fez a trilha sonora. E não falo como compositor de filmes, eu gosto mais dele do que de Beethoven.
2. O filme não tem herói. Não há um senso de moral para você se apoiar. Cada personagem tem um passado que aos poucos vai se revelando.
3. Questões de raça não são ignorados, acho que isso pode contribuir para o gênero.
4. A ideia de paranoia pairando no ar foi inspirada em alguns filmes como "A Coisa".
5. Há uma conexão forte deste novo trabalho com meu primeiro filme "Cães de Aluguel". Mas acho que ao longo do tempo meus roteiros foram se tornando mais literários, teatrais e poéticos.
6. A cor vermelha está na minha paleta. É como o sangue no cinema. Eu o uso como uma pintura que pode expressar beleza, graça ou terror.
7. A maioria dos papéis que escrevi foram para atores homens como Samuel L. Jackson, Tim Roth e Kurt Russel. Mas o papel de Jennifer Jason Leigh precisou se revelar. A Jennifer era o que eu precisava.
8. Sobre eu colocar uma mulher sofrendo no filme nestes tempos em que discutimos violência contra a mulher, acho que Daisy Domergue é a personagem mais durona do filme inteiro. Tudo mundo que está trancado na cabana é durão. Mas ela é mais.

Bem, para quem gosta dos velhos faroestes, está aí a "oitava maravilha", claro, do Tarantino.
Imperdível !!!!

Professor Mario Mello

PS: O texto foi escrito pensando em como tem pessoas genias. O roteiro criado por Tarantino é  genial !!!!   #tarantino# #faroeste# #genial#

domingo, 10 de janeiro de 2016

O Livro sua Majestade XV - Sobrevivente


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Chuck Palahniuk

Iniciei minhas leituras em 2016, com um jovem autor americano chamado Chuck Palahniuk.
O título do livro "Sobrevivente" é uma espécie de comédia demente, de pesadelos e uma crítica à sociedade ocidental.

Seu estilo de prosa é envolvente, de enredo chocante que mantém o leitor como refém até o fim de suas páginas.

O protagonista e narrador Tender Branson é o último membro de uma seita de fanáticos religiosos, chamada Crente.

Envolvendo suicídios, fanatismo religioso, trabalho de assistência social, fama, dinheiro e solidão, Tender Branson torna-se um "sobrevivente" cujo drama pessoal vai ficando insuportável para ele. 

O protagonista sequestra um Boeing 747-400, voo 2039 e narra toda sua história de vida a partir deste sequestro.

É uma história cheia de ironia e sarcasmo onde qualquer um pode virar modelo de qualquer coisa.

Uma crônica de um jornal de São Francisco, EUA, diz:
"Um passeio com anfetaminas violentas pelas excentricidades da fama e da natureza da fé."

Temos visto muito disso, aqui no Brasil: a exploração da fé.

Primeira página é a 353
Por várias razões este livro, que não é um "best seller", considerei genial. 
Uma das razões, que ainda não tinha visto em nenhum livro, é que ele começa pelo fim. Sua primeira página é a de número 353 e vai diminuindo até a última página que é a de número 1.

Achei genial este detalhe.

Outro detalhe importante do livro é que "agentes midiáticos" criam celebridades que uma boa parcela da população "engole". Um sujeito decadente, como nosso protagonista, se transforma num sujeito seguido e amado por muitos. 
Muito parecido com o que acontece por aqui, também.
O livro também nos mostra como é danoso o "fanatismo". Reflexão...

De fato Palahniuk consegue prender o leitor até a página 1 com muita astúcia.

Para finalizar:
Ler é bom, simplesmente.

Professor Mario Mello

PS: Este texto foi escrito pensando na exploração da fé que acontece também aqui no Brasil. Igrejas arrecadando sacos e sacos de dinheiro para alimentar privilégios de poucos.
#exploração# #fé# #nãosedeixeenganar#