Após já ter lido 2 livros do Haruki Murakami ("Sono" e "Do que eu falo quando falo de corrida") resolvi seguir lendo este renomado autor.
Como estou de férias escolares, tem sobrado mais tempo para a leitura. Fui buscar então, por indicação do meu filho Arthur, "Sul da fronteira, oeste do sol". Esta é uma das obras mais aclamadas de Murakami. O nome do livro foi baseado na música de Nat King Cole chamada "South of the border".É um livro que considero um dos melhores que já li.
O The New York Times, fez o seguinte comentário: "um mergulho na fragilidade humana, nas armadilhas da obsessão e no enigma impenetrável e sensual que o outro representa". É bem isso: um enigma impenetrável.
O protagonista Hajime, filho único de uma família tradicional de uma província do Japão, faz uma amizade na infância com uma menina também filha única, chamada Shimamoto. A afinidade deles por música e literatura os aproxima muito fortemente. Estudando no mesmo colégio estão sempre juntos. Se tornaram grandes amigos.
Uma particularidade da história que gostei muito é de que Shimamoto tinha em casa dezenas de discos de vinil e todas as tardes os dois escutavam vários discos. Outro traço característico de Murakami é o esporte. Hajime nadava todos os dias para se manter em forma.
Pois bem, o tempo passou Hajime trocou de colégio e o afastamento dos dois foi ocorrendo naturalmente. Hajime mudou-se para Tóquio e nunca mais encontrou com Shimamoto, porém nunca a esquecera.
Muitos anos depois, Hajime com a vida bem estabelecida, pois se casou com uma bela jovem Yukiko, e se tornou proprietário de dois bares em Tóquio que lhe davam uma excelente renda e estabilidade. Era muito feliz com Yukiko e suas duas filhas além de fazer o que gostava, administrando os bares que eram chamados de Clube de Jazz, pois tinha músicos tocando jazz a noite toda. Eles tinham casa de campo, uma BMW que era símbolo de gente endinheirada, o pai de Yukiko era um empresário de sucesso. Enfim, uma boa vida.
Porém, um belo dia Hajime imaginou ter visto na rua Shimamoto. Shimamoto tinha um pequeno problema na perna esquerda que fazia ela caminhar com certa dificuldade e que a tornava quase que única. Hajime a seguiu mas ficou com medo de abordá-la, pois não certeza de que era ela, e assim ela sumiu. Isso reacendeu nele lembranças que já haviam ficado para trás.
Hajime ficava até tarde da noite em seus bares e Shimamoto não lhe saía da cabeça. Até que um dia, chuvoso, apareceu uma linda mulher no bar. Ele estava sentado à frente do balcão tomando um drink e a mulher sentou-se a seu lado e pediu para acender um cigarro. Era Shimamoto. Shimamoto tem uma beleza de tirar o fôlego. A partir daí Hajime não consegue mais permanecer em seu cotidiano de estabilidade com o qual se acostumou. Shimamoto estabeleceu uma condição para seguir visitando Hajime: ele não devia fazer nenhuma pergunta a ela em relação ao passado. Ficou claro para Hajime que Shimamoto tinha um segredo de vida. No fim do livro este segredo aparece (óbvio que não vou contar aqui).
E assim, passaram-se meses. Shimamoto aparecia e sumia, enlouquecendo Hajime. Lógico que Yukiko desconfiou da mudança em Hajime.
Um belo dia, Shimamoto pediu a Hajime para levá-la a outra cidade, pois ela tinha uma missão a cumprir. A cidade deveria ter um rio que desembocasse no mar. Na cidade onde Hajime tinha a casa de campo, tinha um rio perto. Eles foram. E aí vem toda a surpresa da história e o mistério de Shimamoto.
| Haruki Murakami (1949 - ) |
É um final surpreendente, emocionante e enigmático. É cheio de significados e de reflexões sobre nossa vida.
O que queremos dela?
Como disse antes, foi um dos melhores livros que li, pois traz uma história realista e de muito significado.
Vale muito a leitura!!! Eu diria: imperdível.
Professor Mario Mello