Fiódor Dostoiévski, psicológico e realista, suas obras encantam o mundo há décadas.
Noites Brancas, uma alusão as noites de verão em São Petersburgo, em que o sol praticamente não se põe, é sem dúvida um dos clássicos do autor. Mesmo sabendo que toda a obra de Dostoiévski é clássica, existem os mais clássicos. Também levada para o cinema, Noites Brancas encanta pela sua intensidade das emoções vividas pelos dois protagonistas.
Noite Brancas foi publicado em 1848 e é a obra de Dostoiévski que mais se aproxima da escola romântica.
Nesta novela, o autor se autodenomina como "Sonhador". Numa destas noites brancas ele encontra uma senhorita às margens do Rio Nievá, na magistral São Petersburgo, e então começa uma história repleta de fantasia e lirismo.Num recanto, apoiando-se no parapeito na margem do rio havia uma mulher, com um soluço espesso, chorando.
De repente um homem começou a segui-la obrigando o Sonhador a "salvar" a moça daquele marginal. Começava ali a ligação do Sonhador com a Senhorita Nástienka (diminutivo e forma familiar de Nastassía).
O Sonhador era uma pessoa triste, sozinha e avesso à amizades. Assim ele se apresentou para Nástienka (aqui vem a parte Dostoiévski do livro: uma linguagem rebuscada, intensa e genial do autor). Esse discurso elevado do autor, em boa parte do livro, contrasta com a simplicidade do enredo
Porém, o encanto de Nástienka o fez se apaixonar por ela instantaneamente. Toda a história se passa em quatro noites e uma manhã que eles se encontram.
Desde o início Nástienka pediu que ele não se apaixonasse por ela, mas o coração do Sonhador ardeu desde o primeiro momento. Não vou aqui contar a história, para não perder a graça de quem vai ler o livro. Só dando spoiler: tinha outro homem na vida de Nástienka.
Assim, é uma história de amor, esperança e desilusão. O drama do Sonhador revela-se bem realista ao final adquirindo um caráter imaginário do seu mundo de isolamento e solidão.
Quem já leu Dostoiévski sabe da profundidade de suas histórias e enredos. Noite Brancas é mais uma dessas obras geniais.
Professor Mario Mello