Disponível no Brasil apenas na versão em espanhol (muito bom para treinar o segundo idioma), o livro "El túnel" do renomado escritor argentino Ernesto Sábato é uma das grandes novelas da literatura sul-americana.
Escrevi, aqui mesmo no Blog, no mês de abril/21 sobre Ernesto Sábato. Fiz um relato sobre sua vida, descrita na obra "Antes del fin". Este livro conta toda trajetória de Sábato, desde a infância, sua militância comunista, sua atuação como professor universitário, até largar tudo e se tornar um escritor.Escrito em 1948, "El túnel" repercutiu também na Europa onde escritores famosos como Graham Greene e Albert Camus manifestaram sua admiração pelo livro. Graham Greene disse: "Tenho grande admiração por "El túnel" por sua magnífica análise psicológica. Não posso dizer que o li com prazer, mas sim com absoluta absorção."
O livro é tão esplêndido que sorve o leitor até a última linha da história (o último parágrafo reli várias vezes).
Os protagonistas, o pintor e artista Juan Pablo Castel e Maria Iribarne vivem a trama de uma tragédia anunciada. Tudo começa numa exposição das obras de Juan Pablo, quando ele percebe uma dama que fica muito tempo sozinha observando uma de suas obras. Isso o impressionou demais com a contemplação diferente daquela mulher em sua obra.
| "La ventanita" |
A partir daí, começa uma busca desenfreada de Juan Pablo para encontrar Maria. Depois de muita busca, Juan Pablo a encontra e começa, então, o desenrolar de um episódio entre o real e a ficção envolvendo a história dos protagonistas imersos na dramática trama.
Os encontros começam a acontecer, porém Juan Pablo, enlouquecido pela paixão, submete Maria a inúmeras e incansáveis perguntas em todo encontro. A tortura psicológica se manifesta de forma brutal e desequilibrada. A cada encontro um diálogo tóxico que deixa Maria cada vez mais arredia. De personalidades completamente opostas, Juan Pablo desequilibrado psicologicamente, enquanto Maria se mantinha sempre calma e comedida, mesmo com todas agressões verbais sofridas.
Um dia Juan Pablo descobre que Maria era casada com um cego e que tinha uma propriedade fora de Buenos Aires, onde a história de desenvolve. Para fugir dos ataques desatinados de Juan Pablo, muitas vezes Maria se refugiava na estância. Aloucado Juan Pablo inferia que Maria tinha um amante na estância e por isso lá ela passava dias. Isso foi enlouquecendo cada vez mais Juan Pablo e calando Maria.
Uma das passagens do livro neste episódio: "Pelo ella no volvia. A medida que fueron pasando los dias, cresci en mí una espécie de locura."
"Mis sentimientos, durante todo ese período, oscilaron entre el amor más puro y el odio más desenfrenado, ante las contradiciones y las inesplicables actitudes de Maria; de pronto me acometía la duda de que todo era fingido."
Entre os diálogos de Juan Pablo com Maria, a maioria das vezes era assim: "Si alguna vez sospecho que me has engañado - le decia com rabia - te mataré como a un perro."
A pressão psicológica, estúpida e demente que Juan Pablo impunha a Maria durante toda a história, é como disse Graham Greene sobre o livro: não dá prazer em "presenciar" as atrocidades de Juan Pablo, porém nos absorve de tal forma que é impossível parar a leitura.
Assim, a novela se desenrola até o fim com a psicologia introspectiva e egoísta de Juan Pablo. A desesperança se agravava a cada atitude insana de Juan Pablo.
Durante toda obra Juan Pablo luta com duas forças antípodas: a razão e a intuição. Sua força racionalista culmina em uma sequência absurda de hipóteses que o conduzem para a necessidade de matar Maria, para referendar sua posição de domínio.
Em "El túnel", Sábato nos manifesta através da consciência de Juan Pablo que não há esperanças, que é impossível alcançar o amor absoluto. É um livro intrigante e muito real.
Vou dar um pequeno spoiler do final. Disse Juan Pablo:
"Soló existió un ser que entendía mi pintura"
Professor Mario Mello
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