Extraordinário!
Extranatural!
Resolvi começar o texto com adjetivos que fui buscar no dicionário para descrever o que achei deste livro.
"Os livros que devoraram meu pai" me chamou tanto a atenção pela genialidade que precisei ir ao dicionário para buscar palavras para descrever parte dos meus sentimentos antes (pelo nome), durante e após a leitura.
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| Afonso Cruz |
O protagonista Elias Bonfim perdeu o pai ainda antes de nascer. O pai, Vivaldo Bonfim, era um leitor voraz. Levava livros e mais livros escondidos ao trabalho para ler durante o dia todo. Até que um dia ele desapareceu. De tão entretido, de tão concentrado na leitura, adentrou um livro e desapareceu.
Quando Elias completou 12 anos a avó dele o chamou para uma conversa e lhe deu a chave do sótão, como herança, onde ficava a enorme biblioteca do pai. E aí, meus caros, começa a "viagem".
Elias na ânsia de encontrar seu pai, começa uma maratona de leituras, na busca de uma pista para encontrar o pai. Elias começa sua aventura pelos grandes clássicos, percorrendo obras repletas de assassinos, paixões devastadoras, feras e outros perigos feitos de letras.
Elias começou a "entrar" nos livros.
A primeira pista de Elias é o livro "A ilha do Dr. Moreau", que foi o último livro que seu pai leu, antes de desaparecer, pois o pai costumava deixar anotações nos livros.
Obras como a "Odisséia", "O médico e o monstro", "A divina comédia", "Crime e Castigo", "A revolução dos bichos", entre outras são percorridas por Elias onde ele trava diálogos com os personagens na incessante busca pelo paradeiro de seu pai.
Elias é apaixonado por Beatriz, colega de colégio, porém não era correspondido, pois Beatriz gostava de um amigo seu, Bombo. Aqui também acontece a convergência com a obra de Dante, "A divina comédia"que também tinha a Beatriz como a mulher a ser amada.
Em certa ocasião a mãe de Elias deixou-o de castigo porque ele sempre se atrasava para o jantar, por conta das intermináveis leituras. Neste episódio, Elias diz à mãe que irá fazer como o "Barão nas árvores" livro de Italo Calvino, cujo personagem foi morar em árvores após um desentendimento com o pai. E assim vai a história com Elias adentrando nos livros, conversando com os personagens na busca de pistas de seu pai.
São muitos diálogos e passagens por vários livros que não cabem neste pequeno texto. Um dos pontos chaves da história é quando Elias encontra Raskolnikov. Emblemático personagem assassino do romance "Crime e Castigo" de Dostóievski. Raskolnikov conheceu seu pai Vivaldo Bonfim e dele só tinha boas lembranças. O frio assassino se comove com a história de Elias, chora e diz:
"As pessoas tornam-se livros. Esses livros são verdadeiramente vivos. E isso foi minha salvação. Seguindo conselho de seu pai, decorei o livro "Crime e Castigo" de Dostóievski, não com o intuito de contá-lo tal qual foi escrito, mas, acima de tudo entendê-lo. Isso significaria entender-me".
Inteligentíssimo, isso. Muito criativo.
Mas, enfim, será que o jovem Elias encontrará seu pai?
Que pistas "A Divina Comédia", "O médico e o monstro", "Crime e Castigo" darão a Elias para resgatar seu pai?
Só posso dizer o seguinte (que já disse de outros livros): "Os livros que devoraram meu pai" é um dos melhores, mais inteligentes, criativos e formidáveis de todos os livros que já li.
Professor Mario Mello


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