sexta-feira, 1 de fevereiro de 2019

O Livro sua Majestade XXVII - Duas Mulheres da Galileia

Todo inicio de ano sempre nos renovamos em uma série de coisas. Fazemos planos, traçamos algumas metas, enfim queremos sempre recomeçar.
Pensando assim, para começar o ano, busquei um livro que não é um best seller, mas que tinha algo diferente dos últimos livros que li.

Comprado por meu filho Arthur, que tem um raro talento em descobrir grandes obras no meio de centenas delas, DUAS MULHERES DA GALILEIA, traz uma história comovente e magistral de personagens e eventos históricos.

A história se passa nos anos em que viveu Jesus na Galileia.

Joana
A protagonista Joana é uma personagem que é citada na Bíblia, porém de forma tímida. Partindo daí a escritora Mary Rourke foi ousada em contar uma parte da maior história da humanidade, a história de Jesus. A maior parte da história se passa na empoeirada cidade de Nazaré, onde morava a outra protagonista da história, Maria a mãe de Jesus.
Maria, mãe de Jesus

Joana era esposa de Cuza procurador-chefe de Herodes e levava uma vida de luxo na cidade de Séforis, centro político da Galileia, comandada pelo Império Romano.

Quando Joana se vê doente e ouve falar de Jesus, sua vida muda e a incompatibilidade de viver na corte, que mais tarde viria a perseguir Jesus, se torna um dilema para ela.

Assim, Joana se vê entre o mundo romano em que sua lealdade é posta em questão e Jesus, cujo destino está nas mão dos romanos e também passa pelas mão de seu marido Cuza.

Joana vai a Nazaré a procura da mãe de Jesus, Maria, que imediatamente a reconhece pois eram primas. Primas, mas com vidas completamente diferentes: uma na corte romana e a outra escolhida para ser a mão de Jesus.
Joana pede a Maria que promova um encontro dela com Jesus. Ela tinha fé que Jesus poderia cura-la de sua doença, que só se agravava.

A partir daí se desenrola uma história de traição, assassinato mas, de muita fé. O grande mérito da escritora Mary Rourke, para esta história, é contar a vida destas duas mulheres fantásticas que viveram a história de Jesus. Ou seja, o livro não conta a história de Jesus, embora obviamente faça parte, e sim o sofrimento e fé destas mulheres ao seu redor.

O livro tem personagens como Poncio Pilatos, governador de Jerusalém e julgador de Jesus; José de Arimateia, um comerciante que ajudou Jesus e Maria; Herodes, representante romano em Séforis e perseguidor de Jesus; entre outros.

O final é emocionante e se dá no Monte Calvário e na Páscoa de Jerusalém. Enfim, é uma leitura agradável, cheia de fatos históricos e ao mesmo tempo uma demonstração de cura e de fé.

Vale muito a pena a leitura!!

Professor Mario Mello




quinta-feira, 15 de novembro de 2018

O Livro sua Majestade XXVI - O velho e o menino

Nestes tempos de tanta intolerância e de tanta arrogância por parte de muitas pessoas vou aqui fazer a sugestão de um livro singelo, simples mas de grande profundidade e reflexão. Não se trata de autoajuda (não sou muito fã, embora respeite), e sim de reflexão sobre o propósito das coisas.

O livro chama-se: O velho e o menino.

O livro trata a vida como uma aventura e é uma história sobre a descoberta de propósito e sobre o valor da amizade.

O livro é narrado por um jovem estudante universitário que conheceu o protagonista, o Velho Taful, num ônibus indo para a Universidade. Fiquei imaginando a semelhança com nossos ônibus indo para a UFSM (Universidade Federal de Santa Maria) e se seus ocupantes, maioria de estudantes,  encontrassem um Velho Taful.
As vezes eu vou de ônibus para a UFSM, mas o possível diálogo com as pessoas é "zero", porque cada um está dialogando com seus smartphones e o mundo físico ao redor, é inexistente.

Roberto, o estudante, estava lendo um livro no ônibus quando encontrou o Velho Taful que sentou-se ao seu lado. A partir daí conheceram-se e iniciou uma troca de conhecimentos e uma amizade duradoura.

Aladim (Roberto) era como o Velho Taful chamava o menino em cada encontro que realizavam normalmente na casa do Velho Taful. Na casa do Velho Taful sempre tinha um bom café e uma boa música de vitrola. O Velho Taful desafiava Aladim a descobrir seu propósito.

Cansado, um dia, Aladim não foi ao costumeiro encontro e disse: "Desisti dos nossos encontros. Acho que não vamos chegar a lugar algum. Talvez o propósito da vida seja não ter propósito nenhum..."

O Velho Taful conseguiu trazer Aladim de volta aos encontros e a partir daí Aladim se transformou em uma pessoa muito mais madura. O Velho Taful tinha uma imensa sabedoria que encantava a todos.

Óbvio que não vou contar o final do livro mas digo que "o amor sempre foi e sempre será o que vale a pena." Mas e qual o propósito do Velho Taful? Nas últimas páginas do livro ele será revelado.
Por fim, o Velho Taful ensina cinco desígnios para que cada um encontre seu propósito.
Mas já adianto: "Faça da sua vida uma aventura fértil"



Boa leitura!

Professor Mario Mello

domingo, 8 de janeiro de 2017

O Livro sua Majestade XXV - Clube da Luta


Por mera coincidência (depois percebi isso) começo 2017 fazendo o primeiro post do mesmo autor que comecei 2016: Chuck Palahniuk.
No início de 2016 escrevi sobre "O sobrevivente". Hoje escrevo sobre "Clube da Luta",

Considerado um clássico desde sua publicação em 1996, Clube da Luta é um dos romances mais provocativos e reflexivos da sua época.

O Washington Post escreveu: "diabolicamente ácido e, ao mesmo tempo divertido"

O protagonista Tyler Durden vive fora dos limites da sociedade e de suas regras. 
Por isso o romance é perigoso e ao mesmo tempo atraente.
O leitor fica "ligado" o tempo inteiro.

Ele criou clubes de lutas em várias cidades do EUA e por isso era idolatrado por onde andava. 

Elogiado pela crítica mundial, o livro tem um apelo tenso e psicológico muito grande. 

Na realidade Tyler Durden é um "segundo nome" da mesma pessoas que sofre de insônia e se transforma em outra pessoa quando não consegue dormir.

A parceira de Tyler, Marla que participava de grupos de apoio à pessoas com câncer se transforma em personagem chave na história pois estabiliza e desestabiliza o comportamento do protagonista.

Fonte:Google
A criação de clubes de lutas em várias cidades torna Tyler cada vez mais fora do controle do movimento. Paralelo aos clubes foram criados projetos. O mais devastador foi o Projeto Desordem e Destruição.
Esta é uma parte tensa do livro mas de profunda reflexão até nos dias de hoje.

O Clube da Luta inspirou vários movimentos pelo mundo afora:
-Depois do Clube da Luta, Donatella Versace costurou giletes em roupas masculinas e chamou de "visual do clube da luta";

-Depois do Clube da Luta, muitos jovens entraram com processo para mudar de nome para Tyler Durden;

-Depois do Clube da Luta a Banda Limp Bizkit colocava em seus banners "O doutor Tyler Durden recomenda uma dose saudável de Limp Bizkit";

-Depois do Clube da Luta dezenas de peças ilegais foram escritas;

-Depois do Clube da Luta foram criados: clube da costura, clube da bebida, clube do bordado, clube da dança.....

-Depois do Clube da Luta a Universidade da Pensilvânia fez conferências nas quais os acadêmicos dissecavam o romance usando de Freud a esculturas leves, passando por danças interpretativas....

Chuck
Ou seja, o Clube da Luta foi um marco importante para uma geração e por isso não pode deixar de ser lido.
Porém, prepare-se: o livro vai mexer com você. 

Chuck Palahniuk se tornou especialista em mexer com os leitores!


Boa leitura!

Professor Mario Mello




quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

O Livro sua Majestade XXIV - O Morro dos Ventos Uivantes

O Morro dos Ventos Uivantes, romance de Emily Brontë, é um daqueles livros que não pode deixar de ser lido.
 Nascida na Inglaterra em 1818, Emily era a mais isolada das três irmãs filhas de um pastor anglicano.
Emily morreu muito jovem, com apenas 30 anos e por isso sua obra não é extensa.
Mas, só este livro serve para consagra-la.

Esta edição do livro tem uma característica especial. É uma edição bilíngue Português-Inglês.
As páginas são lado a lado o que facilita e leitura e ao mesmo tempo permite aquela boa espiadinha ou no inglês ou no português para a tradução simultânea.

Seu romance tem uma música especial: selvagem, melancólica e elevada.

O morro dos ventos uivantes é uma história real vivida no início do século XIX no interior da Inglaterra.

O protagonista Mr. Heathcliff, foi um menino adotado e criado numa fazenda. Quando adulto, tornou-se um homem frio, malvado e calculista, cometendo todo tipo de atrocidades com as pessoas à sua volta.

A história trata de um amor não correspondido de Catherine, filha dos donos da fazenda, por Heathcliff.
Local onde provavelmente ocorreu a história
É uma história de muito rancor levando o leitor a uma angústia até o final do livro.

As atrocidades cometidas por Mr. Heathcliff por não ter tido o amor de Catherine não são físicas, embora aconteçam algumas. São torturas psicológicas que deixam marcas profundas nos personagens da história.

A única pessoa que Mr. Heathcliff respeitava era Nelly. Nelly era uma governanta da fazenda onde ele foi adotado e o tratava bem, quando menino, ao contrário do pai adotivo.

Catherine casou-se com outro e isso enlouqueceu Heathcliff. 
Ele não suportava mais a convivência humana. Foi tornando-se a maldade em pessoa.

É uma história tão bem escrita por Emily Brontë que prende o leitor, mesmo angustiado, o tempo todo.

Na contra capa do livro, tem um trecho das palavras de Mr. Heathcliff e seu sofrimento pela perda de Catherine.

Confesso que foi uma das histórias mais impressionantes que já li. 
A capacidade da escritora mexer com o psicológico do leitor é algo raro, pelo menos para mim.

Recomendo muito a leitura desse clássico da literatura mundial pois parece ser uma história comum de um amor não correspondido, mas trata-se de uma complexidade psicológica impressionante.

Boa leitura!

Professor Mario Mello








terça-feira, 27 de dezembro de 2016

O Livro sua Majestade XXIII - O Cavaleiro inexistente

O Cavaleiro inexistente é um dos livros da mais importante trilogia do autor cubano/italiano Italo Calvino.
Escrito em 1960 e publicado em Torino na Itália, o livro em seguida ganhou o mundo pela sua fantasia, humor e elegância.
Com a trilogia, "O Visconde partido ao meio"; "O Barão nas árvores ou O Barão rompante" e "O Cavaleiro inexistente" Italo Calvino se consagrou entre os quatro melhores autores italianos modernos.
Bem, a história se passa na França de Carlos Magno e seus paladinos cristãos em guerra contra os infiéis.

O herói da história se chama Agilulfo Emo Bertrandino das Guildivernas e Outras. Agilulfo é um guerreiro que usa uma armadura branca, única no exército.

Agilulfo era um soldado exemplar. A questão é que ele não existia. Várias vezes os soldados levantavam a viseira do elmo da armadura branca e dentro não tinha ninguém.

Agilulfo se tornara paladino de Carlos Magno, porém a uma certa altura da guerra e da história, sua versão de herói foi contestada e ele teve que partir para prová-la novamente ao Imperador. Era obrigado a fazer isso para reconquistar seu posto no exército.

Agilulfo traído por uma situação que ele desconhecia aparentemente não consegue provar sua anterior bravura e com isso não reconquistaria seu título. 
Bom....obvio não contarei o restante para o final.
O livro é de leitura leve e agradável como é característico de Italo Calvino.

Fica como lição desse ótimo livro, uma história de bravura, de ética e de verdade de um cavaleiro que se fez respeitar por todo exército.

Boa leitura!

Professor Mario Mello








segunda-feira, 26 de dezembro de 2016

O Livro sua Majestade XXII - O Visconde partido ao meio







O Visconde partido ao meio é um livro muito interessante. 
Uma história um pouco engraçada quase chegando a uma fábula, o livro conta a trajetória de um Visconde que indo participar de uma guerra cristã contra os turcos, foi acertado por um tiro de canhão.

Resultado de imagem para o visconde partido ao meioComo o Visconde Medardo di Terralba ficou muito ferido, os médicos conseguiram que ele ficasse apenas com metade do seu corpo. Meia boca, um olho, um braço, uma perna e assim por diante.
O que se ficou sabendo, depois, é que a outra metade foi recuperada por outros médicos. 
Resultado de imagem para o visconde partido ao meioMuito engraçado isso!

O autor Italo Calvino, cubano de nascimento e italiano de criação, consegue neste livro de linguagem simples, fazer com que o leitor tenha uma profunda reflexão sobre o bom e o mau, sobre o bem e o mal.

Uma das metades do Visconde erá má e a outra boa demais. Isso acabou gerando muita confusão nos domínios do Visconde. Pois enquanto o Medardo Mesquinho, como era chamado, era odiado pelas suas maldades, o Medardo Bom também começou a ser odiado pelas suas trapalhadas em querer ajudar.
Dois trechos do livro:
-"Das duas metades a boa é pior que a mesquinha começavam a comentar os habitantes da região."
-"Assim passavam os dias e os nossos sentimentos se tornavam incolores e obtusos, pois nos sentíamos como perdidos entre maldades e virtudes igualmente desumanas."

Uma das partes mais interessantes da história é que os "dois Viscondes" se apaixonaram pela mesma mulher. 
Pamela aceitou o pedido de casamento dos dois e a confusão de estabeleceu.
Resultado de imagem para o visconde partido ao meio
Bem a história é de herói e vilão que coincidem pois o Visconde foi partido em duas metades.
Obviamente que a história não parece verdadeira ou provável, mas gera uma inquietação entre o Real e o Fantástico.

E agora para reflexão:
Já pensou em você ser dividido em metade boa e metade má?
Como realmente somos?
Qual metade predomina?

Por isso, e outras tantas, não deixe de ler!

Professor Mario Mello


sábado, 6 de agosto de 2016

O Livro sua Majestade XXI - O Castelo dos Cárpatos

Júlio Verne consagrado escritor francês nascido em 1828 foi considerado por críticos literários como o inventor do gênero de ficção científica. 
Júlio Verne
Obras como: "Vinte mil léguas submarinas" e "Viagem ao centro da terra" foram filmes inesquecíveis na minha infância pelo futurismo que os mesmos apresentavam à época.
Julio Verne autor de mais de 50 obras literárias sendo que 33 foram levadas ao cinema dando origem a mais de 90 filmes, até então, não tinha sido um dos autores lidos por mim. 

Acho que comentei em outro texto que o meu filho Arthur tem um grande talento para descobrir livros interessantes e extraordinários que não sejam "midiáticos". 
Pois foi assim que ele descobriu "O Castelo dos Cárpatos" que não é das obras mais conhecidas de Júlio Verne porém de uma história incrível e intrigante. Daquelas que devemos ler.

A história se passa nas Montanhas dos Cárpatos região mistica da Romênia onde o Castelo do Barão Rodolfo de Gortz ficara abandonado por muitos anos.
O castelo é visto ao longe, nas montanhas, pelos habitantes da vila de Werst que tem apenas 500 habitantes e que conta com os "notáveis" Pastor Frik, o guarda Nick Deck, o juiz Koltz, o doutor Patak e o professor Hermod. 

Em determinado momento surge a convicção, pelos notáveis, de que o castelo está habitado por espíritos e desta forma, mal assombrado.
A partir daí, toda vila entra em pânico, pois de binóculos conseguem ver eventualmente fumaça em uma das chaminés do castelo.
Para maior espanto ainda, o pastor Frik diz que a fumaça é obra do "chort", demônio para os habitantes da vila.
Nic Deck, o guarda e o doutor Patak resolvem, então, ir investigar o que está acontecendo no abandonado castelo.

As dificuldades para chegar ao burgo (como o livro se refere ao castelo) são imensas e dificultosas fazendo com que o doutor queira desistir da missão várias vezes durante a viagem. Mas Nic Deck é implacável; vamos até o fim.
Óbvio que o que irá acontecer daqui pra frente, não vou aqui relatar. 

No decorrer da história existe uma descrição interna do castelo, impressionante. A narração do autor remete o leitor para dentro do castelo abandonado com uma riqueza de detalhes que só grandes autores conseguem.

Posso apenas dizer que não "sosseguei" até não ir ao fim da história.
O Castelo do Cárpatos, não é das obras mais badaladas de Júlio Verne (talvez por isso gostei tanto)  mas de extraordinária capacidade de conduzir o leitor por uma história meio real, meio ficção.
Quem ler ficará com a dúvida que eu fiquei: relato verídico ou obra de ficção?

Não deixe de ler!

Professor Mario Mello