segunda-feira, 12 de outubro de 2020

O LIVRO SUA MAJESTADE LI - MARGOT

 Escrevi num post anterior sobre as 10 novelas quem o escritor Fernando Sabino reuniu numa coleção chamada "Novelas Imortais". 

Novelas Imortais

Mas afinal, qual a diferença entre novela e romance? 

Com uma explicação simples, a novela se diferencia do romance, pela extensão do texto. 

Enquanto no romance o texto é maior, ocorre uma ambientação social e psicológica que configura o universo vivido pelos personagens.

Na novela, o texto é mais curto, onde predomina o evento, ou seja, a história que é contada com poucos personagens e mais direta.

Já escrevi sobre "A Fera na Selva" e neste post escrevo sobre a segunda novela da coleção, que se chama "Margot". 

O escritor, poeta e novelista francês, Alfred de Musset (1810-1857), considerado o mais clássico dos românticos e o mais romântico dos clássicos, traz em sua novela "Margot" um intenso e inquieto sentimento de uma paixão não correspondida.

Falando assim, parece um tema comum e corriqueiro, porém Margot surpreende pela singeleza e inteligência de uma garota de 16 anos "dada" por sua família, para ser dama de companhia de uma distinta viúva, a Senhora Doradour moradora de Paris. 

A família de Margot, os Piédeleu, moradores e caseiros de uma fazenda da Senhora Doradour, tinham uma dívida de gratidão com a Senhora e não puderam dizer não quando a viúva solicitou que Margot fosse morar em Paris para ser sua dama de companhia.

A família camponesa Piédeleu era formada por oito irmãos homens e Margot como única mulher filha. A tristeza do pai de Margot quando ela partiu para Paris, dá para sentir na nossa alma, tamanha a fidelidade de escrita de Musset. Talvez nesta passagem, fica clara as diferenças sociais, culturais e de classe, vigentes na França do século XIX. Vou além: estas diferenças, talvez em menor grau, existem até hoje.

Deixada a vida de camponesa para trás, inclusive seu amigo Pierrot, Margot chegou a Paris encantada e deslumbrada com a cidade e com a mansão que iria morar. A Senhora Doradour tratou Margot como uma princesa, porém a diferença de classe seguidamente se fazia presente.

A novela fica mais intensa quando Margot conhece o único filho, Gastão, da Senhora Doradour que era soldado, e sua guarnição era em outra cidade. Na primeira visita de Gastão à casa da mãe, Margot se apaixona, porém não há correspondência de Gastão.

Depois de um certo tempo, a Senhora Doradour resolve passar o outono em sua casa de campo, que fica há apenas 1 légua de distância da casa dos pais de Margot. Era a oportunidade de Margot rever sua família. 

Num belo dia, chegam como hóspedes da Senhora Doradour a Senhorita de Vercelles e sua mãe. A partir daí Margot vive um inferno, pois imagina que a Senhorita de Vercelles seria a noiva de Gastão. Margot é então excluída de quase todas as conversas entre a Senhora Doradour, Gastão e a Senhorita de Vercelles.

A querida, meiga e inocente Margot entra então, numa fase desesperadora e tenta o suicídio. 

A meiguice de Margot, durante toda a novela, nos prende e nos enche de alegria com seu comportamento sempre exemplar, mesmo diante de dificuldades. 

Não vou contar mais sobre a novela, pois seu enredo desde o início até a última frase é espetacular. Triste, romântica, reflexiva, esta novela é um tesouro, como Margot.

Não deixe de ler esta novela, que está entre as dez organizadas e apresentadas pelo escritor Fernando Sabino.

Margot é uma história singular e cativante.

Professor Mario Mello





Nenhum comentário:

Postar um comentário