| Carimbo da Livraria Bertrand |
sábado, 28 de dezembro de 2024
O LIVRO SUA MAJESTADE CIII (103) - POETAS DE LISBOA
segunda-feira, 23 de dezembro de 2024
O LIVRO SUA MAJESTADE CII (102) - FOCO ROUBADO
O livro "Foco Roubado" foi eleito um dos melhores do ano de 2024 pela Amazon e pela Financial Times.
| Johann Hari |
Ele decide passar três meses desconectado da internet em uma ilha, sem e-mails, redes sociais ou notificações. Durante esse período, ele percebe o quanto seu pensamento estava condicionado à distração constante. Ele relata que, inicialmente, sua mente parecia "gritar" por estímulos, mas, aos poucos, ele conseguiu acessar níveis mais profundos de reflexão e criatividade.
Hari usa essa experiência para ilustrar como o ambiente moderno é projetado para capturar e manter nossa atenção, impedindo-nos de alcançar estados de foco prolongado.
Ele argumenta que a perda de foco não é uma falha moral ou falta de disciplina pessoal, mas uma consequência de sistemas intencionalmente criados para fragmentar nossa atenção em benefício das empresas de tecnologia. A passagem é um chamado à ação, ressaltando que recuperar o foco exige mudanças estruturais e não apenas esforços individuais.
sábado, 2 de novembro de 2024
O LIVRO SUA MAJESTADE CI (101) - AS PIORES DECISÕES DA HISTÓRIA E AS PESSOAS QUE AS TOMARAM
Começo o post dizendo: livro sensacional e intrigante.
O livro descreve inúmeras situações de erros memoráveis e quem os cometeu. Muitos vezes os erros foram cometidos por pessoas bem intencionadas, mas foram erros históricos.
O livro parte da antiguidade e chega aos tempos modernos. São 50 descrições das piores decisões tomadas por alguém ao longo dos tempos.O bacana, também, no livro e que ele traz uma "medida" para os erros cometidos. A medida traz a motivação por: ganância, ira, caridade, inveja, orgulho, fé e preguiça. Ou seja, cada decisão trágica tomada ao longo da história, tem sua medida do erro.
Outra coisa legal no livro, são as ilustrações. Cada história tem seu personagem e ilustrações de mapas, fatos ou fotos de sua época.
O livro começa trazendo as decisões de Adão e Eva e vai viajando por Cleópatra, O cavalo de Tróia, O Rei Leopoldo e a partilha da África, o erro de Chernobyl, Wall Street entre outros tantas decisões catastróficas.
Vou trazer aqui algumas decisões que me chamaram mais a atenção.
Durante seis dias e sete noites grassou a destruição, enquanto o povo era conduzido em monumentos e tumbas. Nero jamais se recuperou totalmente do grande incêndio. Os danos foram imensos e os ônus sobre a população, gravíssimos.
Nero matou-se quando um esquadrão de execução se aproximava dele, e disse suas últimas palavras: "Que artista o mundo está perdendo."
A motivação foi por orgulho e paranoia do todo-poderoso. Esse fato foi um dos fatos que inspiraram George Orwell a escrever o lendário livro "A revolução dos bichos". Stalin receava constituir um quadro militar profissional capaz de desafiar os questionar a revolução e, assim, por orgulho destruiu a elite do exército.
Esse erro com a destruição do exército, despertou em Hitler a oportunidade de ter vitórias avassaladoras sobre o exército vermelho. O fato de os danos não terem sido fatais para a revolução soviética, decorreu da disposição dos russos de morrer pela pátria.
Outra das piores decisões da história, foi tomada por Winston Churchill (1874-1965). Embora Churchill seja considerado um dos heróis da Segunda Guerra Mundial, também tomou uma decisão equivocada com sérias consequências.
Chamada no livro como "Winston Churchill e o desastre de Gallipoli" teve um dano resultante com mais de 400.000 mortos. Gallipoli é uma península na Turquia, banhada pelo Mar Egeu e pelo estreito de Dardanelos. Seu nome vem do grego significando cidade bonita.
O dano causado por orgulho, vaidade e ataque insensato contra uma península quase que inexpugnável, destruiu mais de um terço das Forças Armadas da Australia e Nova Zelândia. Churchill, ainda jovem, era o primeiro lorde do almirantado do Reino Unido e estava ansioso por entrar na guerra.
Porém, a guerra era terrestre e não naval. O ataque com uma flotilha de 16 navios, tentou entrar no estreito de Dardanelos e sofreu grandes perdas sem nenhum progresso. Disse um dos comandantes da frota sobre Churchill: "Toda essa manobra tem forte cheiro de Gallipoli e, aparentemente, o amador ainda está no banco do treinador." Esse episódio entrou na história de Austrália e Nova Zelândia, pois foi a primeira vez que esses novos países independentes entraram em batalha e sofreram um revés tão grande.
Enfim, o livro e interessantíssimo, pois conta esses erros memoráveis da história. O livro mostrou, também, que grandes erros aliados a motivações duvidosas só podem terminar mal.
Como diz George Santayana, filósofo e escritor:
"Aqueles que não conseguem lembrar o passado estão condenados a repeti-lo."
Boa leitura!
Professor Mario Mello
quinta-feira, 22 de agosto de 2024
O LIVRO SUA MAJESTADE C (Cem) - Pequenos trechos de 10 livros entre os 100 aqui publicados
1. O Conde de Monte Cristo: "Aprender não é saber; há sabidos e sábios; é a memória que faz os primeiros, é a filosofia que faz os outros". "As feridas morais têm uma particularidade: elas se escondem, mas não se fecham. Sempre dolorosas, prontas a sangrar quando tocadas, elas permanecem vivas e abertas no coração."
| Livros 4, 5 e 6 |
7. Ariadne contra o Minotauro: "Muitas pessoas conhecem a existência desse subterrâneo? Somente eu e o rei Minos. E os operários? Os escravos que os cavaram? Não seja ingênua. Em casos como este, eles são mortos após a conclusão da obra. Segredo de estado."
"O mito fica a meio caminho entre a fé e a razão, entre fantasia e a informação."
"A vontade, se não quer, não cede, é como a chama ardente,
que se eleva com mais força quanto mais se tenta abafá-la."
sábado, 17 de agosto de 2024
O LIVRO SUA MAJESTADE XCIX - O GUARDIÃO DE LIVROS
Assim foi com o livro "O Guardião de Livros" escrito em 2010 por Cristina Norton. Trata-se de um livro de não ficção ficcionada, como diz a autora. São personagens reais que tiveram um pouco de ficção, porém a autora diz não revelar. Diz a autora: guardo o segredo de quais são as partes ficcionadas e quais não são.
O livro trata da chegada da Família Real ao Brasil em 1808, ou melhor da saída da Família Real de Portugal. Com a invasão de Napoleão Bonaparte em Portugal, D. João VI se viu obrigado a abandonar Portugal.
D. João VI sempre foi interessado por livros e tinha a Real Biblioteca do Palácio da Ajuda em Lisboa. Mandou seus bibliotecários acondicionarem toda a valiosa biblioteca em caixas para serem transportadas ao Brasil. O que aconteceu foi que a pressa da partida em 1808, fez com que as caixas com todos os livros e documentos da biblioteca, ficassem esquecidas no cais do porto durante a apressada saída da corte portuguesa.
Porém, três anos depois D. João VI ordenou que novamente tudo fosse encaixotado e remetido ao Brasil e quem deveria acompanhar o tesouro era o jovem bibliotecário Luís Joaquin do Santos Marrocos, que é nosso protagonista da história.
Marrocos vem contra sua vontade ao Brasil. Nos primeiros meses se comunica com o pai (e família), também bibliotecário em Lisboa, sempre denegrindo a imagem do Rio de Janeiro dizendo que que vinha de Lisboa desmaiava e esmorecia, pela cidade fétida e cheia de "pretos". Marrocos adoece logo em seguida e passa muito mal. Antes disso já tinha comprado um escravo que foi quem o ajudou a superar as enormes dificuldades de adaptação.Com o passar do tempo, Marrocos foi apresentado a uma família que veio de Portugal, mas os filhos eram brasileiros. Conheceu Ana por quem se apaixonou loucamente. Ana engravidou antes do casamento o que era uma desonra para toda a família. A história gira muito em cima deste episódio que modifica a vida de Marrocos e da família de Ana.
Aí vem passagens como uma escrava muda que revela um segredo de 200 anos, um escravo que se apaixona por quem não deveria, a família de Marrocos em Portugal que não aceita ele se casar com uma brasileira, a amizade de Marrocos com D. Pedro I, que o impede de regressar a Portugal, as aventuras amorosas de D. Pedro I e as providências de seu pai para esconder os escândalos.
| Cristina Norton |
Um livro super interessante que traz muitos fatos históricos tanto do Brasil como de Portugal e que também mostra o desassossego de pessoas, como do protagonista Marrocos, com a saída compulsória de Portugal. Mostra ainda a arrogância e a discriminação de alguns portugueses da época com o Brasil.
É uma leitura imperdível tanto para entretenimento como para relembrar fatos históricos do nosso Brasil colônia.
Boa leitura!!!
Professor Mario Mello
sábado, 1 de junho de 2024
O LIVRO SUA MAJESTADE XCVIII - A VERGONHA
Annie Ernaux (1940 - ) foi ganhadora do Prêmio Nobel de Literatura em 2022, pelo conjunto da sua obra.
Trago aqui, minha visão sobre o terceiro livro que leio da premiada autora."A vergonha" trata de uma parte da vida de Annie. Retrata suas lembranças de quando tinha 12 anos.
É uma história de certa forma triste, pois na França dos anos 1950, 1960, as classes sociais eram bem distintas e Annie não era de uma classe social privilegiada.
"Toda a nossa existência se tornou sinal de vergonha. O mictório que ficava no pátio, o quarto compartilhado - no qual eu dormia com meus pais, devido à falta de espaço, os tapas e palavrões da minha mãe..." Assim, é parte da narrativa de Annie sobre sua vida à época.
Eles tinham um pequeno mercado na cidade de Y na região da Normandia, porém pouco lucrativo, pois as vendas "fiado" para famílias pobres, trazia problemas de sustentabilidade para o negócio.
A passagem mais forte no livro, segundo minha interpretação, é quando a autora descreve que num domingo de junho, no começo da tarde o pai tentou matar a mãe dela. Conta Annie, que após uma discussão dos dois, a mãe gritou por socorro e quando Annie chegou, viu o pai convulsivo e ofegante com uma foice na mão aos gritos que a mataria.
Com a chegada de Annie o fato não se consumou e não tocaram mais no assunto nos dias e anos seguidos. A cena nunca mais se repetiu e o pai de Annie, morreu justamente num domingo de junho, quinze anos depois.
| A Annie de hoje |
Outra passagem interessante do livro é parte onde a autora descreve a escola particular que frequentou até certo tempo. A forte influência religiosa na escola (era administrada por padres e freiras), a rigidez dos tratamentos, a segregação das alunas (mais ricas-menos ricas) até mesmo no pátio da escola. Tinha pátios diferentes para quem pagava mais pelo ensino.
quarta-feira, 22 de maio de 2024
O LIVRO SUA MAJESTADE XCVII - ALICE NO PAÍS DAS MARAVILHAS
Resolvi revisitar algumas fábulas como Alice no País das Maravilhas. Li este livro pela primeira vez há muitos anos atrás e não lembrava direito da história e dos personagens.
| Lewis Carroll |
A menina Alice, da fábula, é uma "pessoa de verdade" chamada Alice Liddell (1852-1934) que conviveu com o escritor por vários anos de sua infância, pois Lewis Carroll era um reverendo anglicano britânico e professor de matemática. Além disso foi um excelente fotógrafo. Sua ligação com a família Liddell era muito próxima. Começou a despertar desconfiança na mãe de Alice, e houve então um rompimento das relações com a família.
Até hoje pesquisadores da vida de Lewis Carroll, que tinha uma paixão platônica pela menina, não têm respostas para esta dúvida sobre a vida de Carroll.
Porém, como diz a tradutora da obra, Marcia Heloisa, sobre a vida de Carroll: "no terreno desconfortável da dúvida, entendi o que deveria fazer nesta introdução: deixar Dodgson, na sombra, lugar que ele sempre preferiu, e levar Alice para a luz."
| Linda edição da Darkside |
A trama é uma mistura de aventuras e desafios, onde Alice tenta navegar e entender as regras do País das Maravilhas, um lugar onde nada é o que parece.
Ao longo da narrativa, Alice encontra personagens icônicos como o Gato Risonho, a Lagarta Azul, o Chapeleiro Maluco, a Lebre de Março, o Coelho Branco, a Tartaruga de Mentira, a Rainha de Copas, entre outros.
Cada encontro com esses personagens é marcado por diálogos enigmáticos (característica do escritor que revela uma lógica do absurdo) e situações irracionais que desafiam a lógica e as convenções do mundo real.
| Alice, a Lebre de Março e o Chapeleiro |
Uma passagem interessante do Chapeleiro é que ele passava o tempo inteiro tomando chá (uma alusão aos britânicos). Só, que ele não lavava a louça, porque não tinha tempo, e então, ficava fazendo rodízio na mesa onde tinha xícaras limpas (dá para ver na figura ao lado várias xícaras posicionadas). Achei genial esta passagem.
Aliás, o livro é todo ilustrado para mostrar os bizarros personagens que conviveram com Alice.
O capítulo que mais gostei, foi quando Alice entra no jardim da Rainha e encontra três jardineiros pintando rosas brancas com tinta vermelha.
Chegando perto Alice presenciou o seguinte diálogo: "Preste atenção, Cinco! Está me sujando de tinta. Foi sem querer, pois o Sete me deu uma cotovelada. Sempre botando a culpa nos outros, disse Dois."