sexta-feira, 27 de março de 2020

Poema "Cura" - publicado em 1869


Cura

Poema de Kathleen O'Meara
Escritora e bióloga irlandesa-francesa
Publicado em 1869

E as pessoas ficaram em casa.
E leram livros e ouviram.
E descansaram e se exercitaram.
E fizeram arte e brincaram.
E aprenderam novas maneiras de ser.
E pararam.
E ouviram fundo
Alguém meditou
Alguém orou
Alguém dançou
Alguém conheceu sua sombra
E as pessoas começaram a pensar de forma diferente.
E pessoas se curaram
E na ausência de pessoas que viviam de maneiras ignorantes,
Perigosas, sem sentido e sem coração,
Até a Terra começou a se curar.
E quando o perigo terminou.
E as pessoas se encontraram.
Lamentaram pelas pessoas mortas.
E fizeram novas escolhas.
E sonharam com novas visões.
E criaram novos modos de vida.
E curaram a Terra completamente.


Planeta Terra hoje 27 março 2020
Visão de futuro ou coincidência ?
Tomara que o final seja o mesmo do poema!

Para refletir.

Professor Mario Mello

domingo, 15 de março de 2020

O LIVRO SUA MAJESTADE XXXIII - O CHARUTO DE CHURCHILL

Winston Churchill era um homem que amava os charutos.

Começando o post com esta frase dá uma ideia do tema central do livro "O Charuto de Churchill" cuja história é encantadora sobre um caso de amor que se consumia diariamente na fumaça.

 O charuto de Churchill foi um símbolo de resistência durante a Segunda Guerra Mundial.
Winston Churchill - 1874-1965
O charuto se tornou tão importante que o Serviço de Inteligência Inglês em parceria com conceituados cientistas da época, testava os charutos em ratos, para detectar um possível risco de sabotagem ou envenenamento do então primeiro-ministro do Reino Unido.

Como Churchill ganhava muitos presente, muitas vezes de origem suspeita, a preocupação com a sabotagem era muito grande.


O livro retrata uma boa parte da vida de Churchill sempre com o foco principal nos charutos.
Segunda algumas estatísticas Churchill teria fumado cerca de 200.000 charutos ao longo de sua vida. Sua filha Mary, perguntada certa vez sobre isso, desconversou, não admitiu, mas também não desmentiu. O fato é que até seus últimos dias de vida, Churchill não largava de seus charutos.

Churchill foi um homem notável. Foi considerado, recentemente em pesquisa da BBC, como o maior britânico de todos os tempos.
Em 1953 ganhou o Prêmio Nobel de Literatura. Reconhecido mundialmente como um dos homens mais corajosos capitaneou a resistência europeia e venceu Hitler, acabando com a Segunda Guerra Mundial.

Também foi pintor, habilidade esta desenvolvida numa fase ruim de sua vida, onde a depressão bateu à sua porta, porém Churchill soube contornar e voltar a vida pública e política.

Na Austrália, como colônia inglesa por muitos anos, existe uma cidade chamada Churchill e possui um obelisco com cerca de 4 metros de altura, representando um charuto.

Pois bem, o livro é uma grande caminhada pelo labirinto de arquivos do Churchill College e na Cambridge University trazendo fatos e acontecimentos, grandiosos e pitorescos, alegres e tristes, mas, sempre demonstrando a determinação deste incrível personagem da história mundial.


O livro retrata os milhares de charutos ganhos de presente por Churchill.
Sua ligação com fabricantes de charutos da Inglaterra e principalmente de Cuba.
Sua amizade duradoura com um empresário cubano chamado Antonio Giraudier, lhe rendeu por décadas o abastecimento de seu estoque de charutos, com os melhores do mundo.
Esse abastecimento durou até a revolução de Fidel Castro em Cuba, de onde o empresário cubano teve que fugir, pois sua fábrica foi confiscada pelo o governo em prol da revolução.

Fidel Castro, também se tornou um aficcionado por charutos, obviamente para promover a principal industria cubana.
Fidel quando soube das remessas de Giraudier para Churchill, resolveu também enviar charutos de presente para o premiê inglês que prontamente não aceitou e devolveu todas as remessas à Fidel, alegando que não poderia receber presentes, que na sua origem estavam banhados de sangue.
Esses charutos enviados de Fidel para Churchill, deram origem a famosa e considerada hoje a melhor marca de charutos do mundo, o COHIBA.

Bem, o livro é espetacular e conta até o último dia da vida de Churchill.
Já debilitado disse Churchill: "Acho que eu morreria rápido se me aposentasse. Não pode haver sentido em viver quando não há nada para fazer."
Churchill fumou seu último charuto na noite de 9 de janeiro de 1965. Depois de uma suave baforada o charuto ofereceu um último prazer. E, enquanto era colocado no cinzeiro, ele já estava quase morto.
Ele sofreu um colapso, perdendo a consciência vindo a falecer duas semanas depois, dia 24 de janeiro de 1965.

Por fim, convido-os a ler este singelo, mas importante livro, de um dos personagens mais emblemáticos dos últimos séculos.

Deixo também a imagem de um homem feliz com seu eterno amor: o charuto.


Boa leitura!

Professor Mario Mello





quinta-feira, 13 de fevereiro de 2020

O LIVRO SUA MAJESTADE XXXII - O ESTRANGEIRO

Integrante da lista dos "100 livros para ler durante a vida", elaborada por editores da Amazon, este belo livro, "O estrangeiro", faz jus a estar na lista. 

Albert Camus *07.11.1913 +04.01.1960
Publicado em 1942, é o mais pop dos livros do francês Albert Camus. Ganhador do Premio Nobel de Literatura em 1957, Camus se destaca pelo seu tema existencial e a solidão.

O livro é tão pop que rendeu até música do grupo de rock inglês The Cure.

As obras de Camus contribuíram com o crescimento da corrente de pensamento conhecida como absurdismo.

Em "O estrangeiro", Mersault, o protagonista, não encontra nem explicação e nem consolo para o que ocorre na sua vida.

Mersault, dentro do absurdismo, nem se importa com a morte de sua mãe, por exemplo.

Ele não tem nada em que se amparar, pois ao mesmo tempo que é livre, se depara com uma angústia constante.
A circunstância fez com que Mersault cometesse um crime e fosse parar na prisão. Sua indiferença com a situação é tanta, que novamente o absurdismo se manifesta.

Narra Mersault: "mesmo no banco dos réus, é sempre interessante ouvir falar de si mesmo. Durante as falas do promotor e do meu advogado, posso dizer que se falou muito de mim, e talvez até mais de mim do que do meu crime." 

Condenado pelo crime cometido, na prisão recebe um capelão que tenta um diálogo com Mersault.
Uma das capas em francês
Esta é uma das partes mais interessantes do livro, pois mostra toda a liberdade do protagonista e ratifica que a liberdade e o absurdo são faces da mesma moeda.
Uma implica na outra. E, é isso que Camus propõe aos leitores.

Bem, não é em vão, que esse livro aparece na maioria das "listas de livros para ler".

Pelo livro, por Camus e pelo protagonista Mersault, me rendo, também à lista.

Vale muito a pena a leitura!

Professor Mario Mello





domingo, 9 de fevereiro de 2020

O LIVRO SUA MAJESTADE XXXI - ARIADNE CONTRA O MINOTAURO


Os labirintos há séculos despertam interesse e curiosidade. Formados por conjuntos intrincados de percursos, têm o objetivo de desorientar quem os percorre, criando uma pressão psicológica muito grande. Também, já foram considerados símbolos de riqueza e poder.

Já a mitologia grega envolve um conjuntos de narrativas, lendas e mitos criados na antiguidade com objetivo de descrever fatos e fenômenos da natureza. 
Devemos lembrar que a civilização grega estava baseada numa religião politeísta, ou seja, eles cultuavam diversos deuses.
A mitologia grega é composta de várias figuras mitológicas onde encontram-se os heróis que eram os semideuses, ou seja, filhos de deuses com humanos. 
Neste contexto que a princesa Ariadne, filha do rei Minos, nosso herói Teseu e o monstro Minotauro dão os personagens para está fascinante história.
A história é tão fascinante que vários filósofos como: Plutarco, Catulo e Ovídio foram bases para a releitura da história ao longo do tempo. 

Até mesmo Picasso fez uma pintura do Minotauro. 

A história se passa quando Ariadne a filha caçula do rei Minos, descobre que o pai encarcerara um monstro no Labirinto de Creta e que esse monstro, chamado Minotauro, é seu meio-irmão.
Como isso aconteceu? Sua mãe a rainha Pasífae teve relação com. ou touro e dessa relação nasceu o Minotauro.
O monstro está preso no labirinto de onde nunca ninguém conseguir sair vivo. 
O rei Egeu, de Atenas, tinha uma dívida com o rei Minos, de Creta, e a cada nove anos eram oferecidos sete rapazes e sete moças, jovens de Atenas, como alimento ao monstro, em pagamento desta dívida.
É aí que entra o herói Teseu, filho do rei Egeu de Atenas, que se ofereceu para estar entre os jovens que seriam sacrificados no labirinto, como alimento do Minotauro.

Aí começa a odisséia de Ariadne que se apaixona por Teseu e quer ajuda-lo, escondido do pai, a combater e matar o Minotauro, livrando assim todos os jovens atenienses de serem sacrificados ao longo dos anos.

A história é de amor, coragem, vingança, traição e a busca de justiça.

Na história aparece Dédalo (pai de Ícaro, patrono da aviação), arquiteto, construtor e homem de confiança do rei Minos. Ariadne vê nele a única pessoa que pode ajudá-la, uma vez que foi ele o construtor do labirinto. Os operários que ajudaram a construir o labirinto, todos foram mortos após a conclusão, guardando assim o segredo do temível labirinto.

Desafiando a família e as leis locais, Ariadne ajuda Teseu com a condição de que ele a levasse junto na fuga para Atenas.
Fica claro que o amor sempre tem suas razões, porém, o sofrimento muitas vezes é uma etapa necessária para a felicidade.


Bom, é óbvio que não vou contar a história aqui, mas digo que é uma das mais belas narrativas da mitologia grega.

Uma história surpreendente cheia de aventuras, segredos e reviravoltas.
Nunca se sabe o que se passará a cada curva do labirinto.

Para terminar, uma frase do livro que perdura há décadas, séculos, milênios:
"O mito fica a meio caminho entre a fé e a razão, entre a fantasia e a informação".

Não deixe de ler Ariadne. Vale muito a pena.

Professor Mario Mello









segunda-feira, 4 de março de 2019

O Livro Sua Majestade XXX - High Hitler

Existem dezenas, talvez centenas de livros sobre a Segunda Guerra Mundial comandada por Hitler.

Porém, este livro trata da guerra sob uma outra ótica até então inexplorada:
O uso de drogas pelo Führer e pelos nazistas durante muitos anos.

High Hitler escrito por Norman Ohler conta como o nacional-socialismo foi tóxico, no sentido mais literal da palavra. 

Não se trata de um livro de ficção, mas sim de extensas pesquisas em arquivos de todo o mundo feitas por Norman Ohler o que lhe confere um caráter científico e ao mesmo tempo assustador. 
O uso constante de drogas pelos nazistas cujo componente ativo chama-se metanfetamina fez com que soldados e oficiais tivessem sempre um desempenho superior aos inimigos de guerra. 
Tem passagens no livro que conta que soldados ficavam até 17 dias sem dormir sendo "medicados" com a metanfetamina que era fornecida em pílulas com o nome de Pervitin.
O Pervitin traz aumento de rendimento, tira o sono e a fome, promete euforia mas traz enorme prejuízo à saúde podendo destruir a pessoa.

O livro ainda faz uma alusão ao seriado atual Breaking bad uma vez que o Reich possuía sua própria cozinha de drogas. 

O tema central do livro não é a guerra em si com suas batalhas, mas sim a relação pessoal de Hitler com seu médico particular o Dr. Theodor Morell. Hitler ficou tão dependente do médico que lhe ministrava a droga (cada vez com mais frequência e diversidade) que o obrigava a estar sempre a seu lado praticamente 24 horas por dia. 

Hitler e o Dr. Morell
Quando o Pervitin não fazia mais o efeito desejado o Dr. Morell com seu império de laboratórios alemães e holandeses (dominam o mundo até hoje) começou a fabricar e aplicar em Hitler e no alto comando nazista o Eukodal. O Eukodal  é como uma mistura de cocaína com morfina.
O Dr. Morell foi ganhando espaço e se tornou indispensável para Hitler até a sua morte. 

Hitler dizia ao Dr. Morell: "meu doutor fico tão feliz quando o senhor chega de manhã."

Empolgação dos oficiais nas festas
O livro mostra como a nação comandada por Hitler precisava da droga, em grandes quantidades, para funcionar.

O livro ainda descreve a onda de suicídios que avançou por todos os cantos do Reich após a anunciada morte de Hitler. Foram mais de 100 mil pessoas em toda Alemanha  e mais de 100 altos oficiais da Wehrmacht (conjunto das Forcas Armadas da Alemanha durante o Terceiro Reich). A dependência da droga falou mais alto e viu o Terceiro Reich desmoronar.

Enfim, como escreveu o Jornal Britânico The Guardian: 
"O livro de Ohler comprovando o envolvimento do Terceiro Reich com metanfetamina muda o que nós sabemos sobre a Segunda Guerra Mundial."

Assim, para os que gostam dos filmes e livros sobre a Segunda Guerra Mundial, este livro, High Hitler é imperdível. Assustador e ao mesmo tempo esclarecedor sobre muitas questões da guerra.

Leia que vale a pena.

Professor Mario Mello



domingo, 3 de março de 2019

O Livro Sua Majestade XXIX - a máquina de fazer espanhóis

a máquina de fazer espanhóis, livro de um dos mais destacados escritores portugueses da atualidade, valter hugo mãe, me chamou muito a atenção pela sua originalidade e beleza.
presente dos meus queridos sobrinhos andré e carolina é uma obra genial, emocionante e reflexiva.
valter hugo mãe
alguns podem estar estranhando que este texto está todo em letras minúsculas. pois é assim que valter hugo mãe escreve suas obras. por isso a originalidade e a novidade para quem ainda não conhece o autor.
é um fator diferente e desafiador para os leitores.
o protagonista da história é o barbeiro antônio jorge que após a morte da mulher passa a viver num lar de idosos.
triste por ter sido colocado no lar de idosos, no início antônio jorge se mostra turrento e calado com os outros companheiros do lar.
escrita de valter hugo mãe
o lar era dividido em duas alas: a ala direita as janelas dos quartos davam para um jardim onde crianças brincavam. já ala esquerda era reservada para os doentes e acamados e a vista era para o cemitério. a inteligência do autor em descrever este sombrio cenário faz do livro uma obra genial. que alegrias a vida pode oferecer às pessoas tão próximas do cemitério?
outro protagonista da história e melhor amigo do antônio jorge era o centenário esteves. esteves havia sido amigo do poeta fernando pessoa e isto rendia longas histórias entre antônio e esteves.

o livro também traz algumas imagens bem bacanas. é um excelente livro.

embora seja um livro um tanto triste traz passagens hilárias com os diversos diálogos entre os personagens. esse livro tem uma força emocional gigantesca, pois duvido que o leitor não se coloque na pele do personagem antônio jorge.

o cemitério, que é visto de uma das alas, está como a chamar os moradores do lar de idosos. valter hugo mãe traz uma passagem no livro que me marcou bastante. diz o seguinte:
"andar pelo cemitério é a última coisa de velho a entrar-nos na cabeça. é o que verdadeiramente nos torna velhos sem regresso, diferentes dos outros humanos, afeiçoa-mo-nos à morte. é como se fossemos cortejando a confiança dessa desconhecida."

enfim, é uma obra imperdível. traz uma lição de vida e ao mesmo tempo nos provoca uma angústia sobre a transcendência. 

sei que temos dezenas, centenas de livros excepcionais. mas este é um que mexe com a nossa existência, com nossa vida, com nossa angústia e com nosso amor ao próximo.

não deixem de ler este livro. ele nos faz pensar muito e mudar o nosso íntimo perante muitas situações.

boa leitura!

professor mario mello


ps: o texto está todo escrito em letras minúsculas em homenagem a este grande autor.

O Livro Sua Majestade XXVIII - A Guerra das Salamandras

Segundo alguns críticos este livro é tão poderoso quanto 1984 de George Orwell.

Karel Capek - 1890-1938
Escrito em 1936 pelo vanguardista tcheco Karel Capek - mestre da ficção científica e pai da palavra robô - tudo começa com a descoberta de uma espécie de salamandra altamente inteligente.

Com a descoberta das salamandras na ilhota de Tana Masa a oeste de Sumatra, logo os homens tentam escraviza-las para explorá-las desenvolvendo cada vez mais suas capacidades.

Pasmem: as salamandras eram capazes de se comunicar com os homens.

O protagonista e descobridor das salamandras o Capitão Van Toch não tinha dinheiro para a captura das salamandras e propôs o negócio a um grande empresário Sr. Bondy.

Quando o Capitão Van Toch foi procurar o Sr. Bondy, e aqui uma parte interessante da história, o mordomo do empresário o Sr. Povondra, não costumava deixar "qualquer um" falar com o poderoso empresário.

Porém, sentiu uma intuição de que o Capitão tinha algo importante a propor e facilitou o encontro. O Sr. Povondra, no decorrer da história, lamenta-se por isso posteriormente.

O empresário Sr. Bondy se interessa pelo negócio e começa então a captura e exploração das salamandras. O grande negócio é que as salamandras capturavam ostras nas profundezas do mar, separando as PÉROLAS para o capitão Van Toch e seu sócio Sr. Bondy.

A história é tão sensacional que as salamandras aprenderam a falar vários idiomas, tinham escolas próprias, fundaram um sindicato das salamandras e foram se multiplicando. Em pouco tempo eram milhões.

Começaram a reivindicar seus direitos, querem ser humanizadas. Assim, apareceu um Chief Salamander que impôs condições ao mundo para não destrui-lo, ou seja, inicia uma guerra entre humanos e salamandras.

Itália, França, Holanda, Costa da Africa entre outros, foram duramente atacados pelas salamandras.

A Grã-Bretanha foi a que mais resistiu em função da sua posição geográfica. Enfim, uma guerra brutal entre salamandras e homens.

Bem, obviamente não contarei o fim da história. Mas digo, vale muito a leitura deste (para alguns) clássico da literatura mundial.

Karel Capek consegue fazer deste livro uma parábola, uma previsão catastrófica do futuro além de uma sátira do capitalismo, do nazismo, do fascismo, deixando múltiplas interpretações.

Interpretações essas, muito intrigantes.

Boa leitura e reflexão!

Professor Mario Mello