domingo, 10 de outubro de 2021

O LIVRO SUA MAJESTADE LXXVIII - A LIVRARIA MÁGICA DE PARIS

 "Ouvir em silêncio era a base para a avaliação profunda da alma". 

"As burrices do amor são as mais bonitas, mas se paga muito caro por elas".


Com frases desta qualidade o livro "A livraria Mágica de Paris" nos traz uma emocionante história de amor, aventura e desprendimento. Diria que ingredientes frequentes e costumeiros nos romances. 

Porém, neste livro, esses ingredientes se tornam inusitados pelas buscas e pelos pretextos dos protagonistas da história. É uma emocionante história de amor, de perda e do poder dos livros.

O livro, escrito por Nina George (1973-) é uma carta de amor aos livros e para quem acredita no poder que as histórias têm de influenciar nossas vidas.

Monsieur Perdu, o protagonista, se considera um "farmacêutico literário". Ele possui um barco-livraria, ancorado no Rio Sena, em Paris, de onde ele prescreve livros para as diversas dificuldades da vida, fazendo uma análise intuitiva de seus clientes.

Perdu utilizava os ouvidos, os olhos e o instinto. A partir de uma simples conversa, era capaz de identificar em uma alma o que lhe faltava.

Que incrível isso!! Já pensou? Em vez de remédios, livros?

E assim era Monsieur Perdu. Muitas vezes deixava de vender livros, pois não via ligação do livro com o "paciente". Monsieur Perdu vendia romances como se fossem remédios que amenizassem o sofrimento da alma. Porém, o único sofrimento que não conseguia curar era o seu.

Perdu sofreu uma desilusão amorosa há 21 anos quando seu amor, Manon, o abandonou quando dormia, deixando apenas uma carta. Carta essa, que Perdu não teve coragem de ler. A desilusão foi tão grande que somente após 21 anos Perdu leu a carta deixada por Manon. A leitura da carta foi provocada por uma nova vizinha, Catherine, que se mudou para o prédio onde Perdu morava e recebeu dele como ajuda para montar o apartamento uma velha mesa, onde na gaveta, estava a carta de Manon. Catherine "forçou" Monsieur Perdu ler a carta e então começa a louca aventura de Perdu.

Na verdade, Manon era amante de Perdu, pois era casada com Luc e morava na Provence, região francesa próxima do Mediterrâneo. Perdu sabia de Luc,  Luc sabia de Perdu e Manon dizia que amava os dois. O conteúdo da carta não vou aqui revelar, para não tirar a curiosidade de quem vai ler o livro. Posso dizer, apenas, que é chocante!

Roteiro de Monsieur Perdu

Numa bela manhã de verão Parisiense, Monsieur Perdu abandona Paris, desatraca seu barco do cais e parte para uma jornada que o levará para o coração da Provence em busca da história com seu amor Manon. Nesse movimento de partida, um jovem escritor e vizinho de Perdu, Max, intui o que está acontecendo e se joga no Sena para alcançar Perdu e partir junto. Assim, juntos partem sem dinheiro, sem roupas, sem muitos mantimentos, apenas em busca de "vida".

O que achei muito bacana no livro é que existe na contracapa um mapa do roteiro que Perdu faz com seu barco. É muito legal, pois o leitor vai acompanhado pelos vários rios e cidades onde o barco-livraria navega.

Nesta aventura da navegação Perdu e Max se tornam muito amigos e dependem um do outro. As conversas, silêncios e reflexões são muito divertidas, muitas vezes bem-humoradas e aprazíveis.

Numa das cidades, se metem em uma confusão num baile e encontram o italiano Cuneo. Cuneo era um espirituoso cozinheiro além de ser "boa gente". Como tiveram que sair às pressas da cidade, Cuneo se incorpora ao barco e parte junto com Perdu e Max. Na viagem encontram uma mulher supostamente se afogando no rio. Depois de algumas aventuras a mais, Samantha também se incorpora ao barco e parte junto. Cuneo se apaixona por Samantha e esta é outra história a parte na viagem. Mais tarde, descobrem que Samantha é também escritora, uma das preferidas de Perdu. Que história!!!!!

Passados alguns dias de viagem, chega o ponto de se separarem. Perdu e Max deixam o barco e partem de carro para Bonnieux, cidade onde Manon morava. Perdu não tem coragem de investigar mais sobre Manon e resolve morar um tempo em Sanary, famosa praia do Mediterrâneo, próxima a Toulon. Consegue emprego numa livraria e assim passa alguns meses na cidade. Porém, sua busca por Manon, não sai de sua cabeça. Um dia resolve encarar o retorna à Bonnieux para se encontrar com Luc o marido de Manon.

E assim é o epílogo da incrível história do "farmacêutico literário". Lá ele descobre Victória, uma linda jovem, filha de Manon. Neste epílogo ainda tem muitas aventuras para descobrir no livro.

Quem sabe, talvez todos nós tenhamos nossas tarefas no Grande Livro chamado La Vie.

Enfim, é uma história emocionante de amor, onde Perdu, compartilhando a sabedoria dos livros, demonstra que o mundo da literatura pode conduzir a alma humana pelo caminho da cura.

Dizia Monsieur Perdu:

 "Eu vendo livros como remédios. Existem livros que servem para um milhão de pessoas; outros para uma centena apenas. Há até remédios, perdão, livros que são escritos para uma única pessoa".

Salve salve sua majestade, LIVROS!!!!

Professor Mario Mello

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