sábado, 19 de junho de 2021

O LIVRO SUA MAJESTADE LXVII - O BANQUEIRO ANARQUISTA E OUTROS CONTOS

Linda capa do livro
 O grande poeta português Fernando Pessoa, também escrevia contos curtos e muito sarcásticos.

Essa edição especial e limitada da Editora Nova Fronteira, traz 21 contos de Fernando Pessoa, alguns inéditos no Brasil. É uma edição de capa muito bonita que faz parte de uma coleção chamada Clássicos de Ouro.

Pela primeira vez no Brasil é publicada uma antologia dedicada apenas às narrativas curtas. Nesta obra Fernando Pessoa mostra que sua excelência não se resume apenas aos versos poéticos.

Fernando Pessoa
Fernando Pessoa (1888-1935) foi um dos mais importantes poetas da língua portuguesa e figura central do Modernismo português. Poeta lírico e nacionalista cultivou uma poesia voltada aos temas tradicionais de Portugal e ao seu lirismo saudosista, que expressa reflexões sobre seu “eu profundo”, suas inquietações, sua solidão e seu tédio. 

Nos vários contos do livro têm passagens geniais de quem tem a perspicácia de fazer o leitor imaginar as cenas, como se as tivesse vivendo. 

No conto "Maridos", diz Fernando Pessoa: "a alma da gente é uma coisa suja, mas
o que vale é que a alma não tem cheiro." O conto é narrado por uma esposa que assassina o marido, por motivo, segundo ela, de não haver outro remédio para estar bem com sua consciência. Cuidado maridos!!!

Em "A estrada do esquecimento" o escritor traz uma reflexão sobre a solidão. A imaginação de estar acompanhado numa cavalgada em uma noite "ilegível", cresce o terror. E a melhor passagem do conto: "pensei em gritar, mas lembrei-me, tremendo, que o meu grito podia, em vez de soar para fora, para a escuridão, soar para dentro, para o meu pensamento, e matá-lo de terror." Genial!!!

Outro conto muito interessante é "O mendigo". Começa com o seguinte diálogo: "É artista? Pintor? Poeta? -Não; sou simplesmente um atônito." O conto traz um bela reflexão sobre Deus e a natureza. A natureza para o escritor é alma. A aurora, a tarde, a noite, o dia são fenômenos espirituais. Segundo o mendigo a morte é a libertação da visão carnal das coisas. Numa árvore que é real, há momentos da árvore que são entes. O perfume é um ente, a beleza é um ente e assim tudo tem alma. As coisas têm vida, as coisas são vida e a vida transcende-se a si própria, diz o mendigo. Neste conto, Fernando Pessoa mostra seu lado filosófico. É muito interessante!

Assim, outros contos como "O eremita da Serra Negra", "O banqueiro anarquista", O crime do Dr. Cerdeira" (achei esse conto simplesmente sensacional), "A hora do diabo", entre outros, fazem do livro uma importante obra com esse lado de contador de histórias, de Fernando Pessoa.

Traz também, o lado da angústia de Fernando Pessoa em relação a sim e às coisas. 

Enfim, é um ótimo livro para conhecer bastante de Fernando Pessoa.

Boa leitura!

Professor Mario Mello

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