sábado, 14 de novembro de 2020

O LIVRO SUA MAJESTADE LVI - O MONGE NEGRO

A sétima novela que li, das dez "Novelas Imortais", organizadas pelo escritor Fernando Sabino, chama-se "O Monge Negro". 
Anton Tchekhov
Fonte: Google
Escrita por Anton Tchekhov (1860-1904), um dos grandes escritores russos, destacou-se desde cedo pela sua irrefreável vocação literária, escrevendo contos, novelas e pecas de teatro. Cursou medicina, mas foi como escritor que se realizou. Trabalhou pouco tempo em um hospital de Moscou como clínico geral e disse certa vez: "não conheço melhor prática para um escritor que alguns anos de profissão médica". Teve uma morte precoce, atacado pela tuberculose. 
O Monge Negro me surpreendeu pela objetividade da escrita e pela capacidade de prender o leitor durante toda novela. 
O protagonista Kovrin perdeu os pais muito jovem e a família dos Pessotski o acolheu.

Vizinhos dos Pessotski, Iegor Semionovitch e sua filha Tânia moravam no interior onde tinham uma propriedade com um jardim impecável (o jardim era a grande paixão de Iegor) e produziam frutas para comercializar.

A novela se desenrola a partir de uma visita de Kovrin, depois de muitos anos, à Tânia após seu convite.

Considerado um gênio pelos amigos, Kovrin era mestre pela universidade e estava sofrendo de um esgotamento que lhe arruinava os nervos. Assim, o convite de Tânia veio em boa hora.

Mas e  o Monge Negro? Kovrin conhecia uma lenda que dizia que há uns mil anos, um monge, vestido de negro, aparecia em algum lugar dos desertos da Siria ou da Arábia e também era visto na África, Espanha e em outros lugares diversos.

Kovrin contou esta história para Tânia, pois o prazo de mil anos estava terminando, que de certa forma fez pouco caso da lenda. Neste dia, Kovrin saiu a caminhar pelos campos e surpreendentemente avista no horizonte uma nuvem negra, que revela a figura do lendário Monge Negro.

A miragem, fruto de sua imaginação, passa a frequentar seu cotidiano, aconselhando-o.

Bom, a partir daí a história toma um rumo incrível de loucura, de conflitos, de dilema que leva o intelectual Kovrin a se debater em ser feliz ou satisfazer o senso comum da família e da sociedade.

A história toma um caminho de alucinação do nosso protagonista levando a conflitos intensos e perigosos, por causa do Monge Negro.

Uma das passagens marcantes da novela é de um diálogo entre Kovrin e o Monge. Disse o Monge Negro: "E quem lhe disse que os homens de gênio, respeitados pelo mundo inteiro não tiveram visões? Diz a ciência de hoje que o gênio está muito próximo da loucura. Creia-me as pessoas saudáveis e normais, são vulgares: o rebanho."

Bem, posso lhes dizer que achei a novela INCRÍVEL e que traz uma reflexão profunda sobre genialidade e loucura.

Além do protagonista Kovrin, considerado gênio, Tchekhov também manifesta sua genialidade em conduzir o leitor freneticamente para o final da novela.

Diria, mais uma vez: novela imperdível.

Professor Mario Mello


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