Raymond Queneau (1903-1976) autor francês publicou "Zazie no metrô" em 1959 e ganhou fama mundial com esse incomum romance.
Somente na França foram vendidos mais de um milhão de exemplares, pois o romance caiu nos gosto dos franceses pela sua espontaneidade e pela vivência do dia-a-dia dos personagens.
A protagonista Zazie é deixada pela mãe, para ficar alguns dias com o tio Gabriel em Paris. Adolescente "desbocada", Zazie mostrou uma rebeldia característica da idade.
Como ela não era de Paris, seu sonho era conhecer o metrô, porém uma greve dos metroviários atrapalhou seus planos.
Queneau é dono de uma linguagem muito peculiar no livro que segundo alguns críticos, sob o ponto de vista da arquitetura literária, Zazie é um romance muito bem feito.
No início da minha leitura, achei que tinha alguns erros de português no livro, o que imediatamente pensei: não pode ser. Tem alguma coisa. E tinha.
O autor usa termos agrupando palavras como"vagãobundar", "keketákomendoaki", "kekefoikevocêdiss" entre outras.
Romance de poucos personagens, tem uma leitura agradável e muito cotidiana com situações engraçadas e muito verdadeiras. Por exemplo, um dos personagens é um papagaio que a toda hora diz: "falar, falar, você só sabe fazer isso", pois a "tagarelice" era tanta que até o papagaio se incomodava.
O tio Gabriel além de dançarino em uma boate gay, também fazia as vezes de guia turístico, e aí vem toda a trama que termina numa trapalhada sem fim para os personagens. A história toda, acontece em praticamente apenas um dia em Paris.
O livro além de ser bom, é bonito. As páginas são de papel Opaque de uma textura incomum. Além disso as páginas são grudadas duas a duas e no meio delas aparecem muito desenhos lindos, como da figura ao lado. Porém, para isso é preciso "desgrudar" as páginas com uma navalha ou estilete.
Muito show!!!!
Pois bem, é minha primeira leitura deste autor Raymond Queneau e digo que fiquei com uma ótima impressão pela genialidade de fazer diálogos entre os personagens, muito reais.
De diálogos, muitas vezes ásperos, possui uma linguagem direta e talvez aí, seja o grande mérito de Queneau, em Zazie.
Bem, e o final?
O final é mítico, pois se descreve em uma pergunta da mãe para Zazie e sua surpreendente resposta é em apenas uma palavra. Achei isso muito talentoso e inteligente.
Portanto, recomendo muito a leitura deste que é um dos principais romances franceses do século XX.
É muito bom!!
Professor Mario Mello
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