quarta-feira, 3 de agosto de 2011

O trabalho e o não trabalho

“O trabalho dignifica o homem.” Expressão tão difundida entre todos nós, revela  como o trabalho é tratado e até mesmo venerado. Realmente só quem não tem trabalho sabe o quanto ele é importante sobre vários aspectos na vida das pessoas. Os constantes levantamentos e estatísticas sobre o trabalho e o desemprego estão sempre entre os temas econômicos e sociais de maior relevância, seja nos países desenvolvidos ou nos países em desenvolvimento.
 Entretanto, cabe nos questionarmos até que ponto podemos e devemos considerar o trabalho como a coisa mais importante da nossa vida. Obviamente ele é importante, porém temos o direito de esquecer um filho trancado dentro de um carro por causa do trabalho?
Já aconteceu na França, em Santa Catarina, em São Paulo, recentemente em Porto Alegre, e quinta feira 05/05/2011,  em Novo Hamburgo, um pai foi ao trabalho e esqueceu por horas a filha de 7 meses trancada dentro do carro no estacionamento da empresa. E, a tragédia se manifestou na sua mais cruel forma: a morte da criança.
O pai, chocado, disse que iria durante a tarde levar a criança ao médico, porém ao ingressar na empresa os afazeres diários e rotineiros tiraram-lhe a atenção em relação à criança e o esquecimento aconteceu e a tragédia também.
Como o trabalho pode ser mais importante que um filho? Como uma pessoa pode cometer um ato impensado desta natureza? Será a pressão do trabalho sobre o pai? Será a pressão do desemprego? Será o tipo de gestão da empresa que não permite, em casos excepcionais, que os filhos possam estar com os pais por alguns instantes no ambiente da empresa? Será a empresa a prioridade do pai em relação à sua família? Será a fatalidade do destino, explicação que se dá, quando não se tem explicação? Será o estresse a doença do século? Será o modelo de sociedade que vivemos hoje, onde o ter é mais importante do que o ser?
Quantas perguntas provavelmente sem respostas, ou com respostas evasivas do tipo: talvez.
O fato é que a tragédia aconteceu por causa do trabalho e ficará marcada para sempre na vida do pai, da família, dos amigos, dos colegas da empresa, enfim de todos que tem sensibilidade para saber que trata-se de uma tragédia dos tempos modernos. É certo que não devemos achar que o trabalho é o grande vilão e o problema do nosso tempo, pelo contrário, ele é necessário, engrandece as pessoas, é vital para a sociedade, porém ele deve ter limites sobre as pessoas, ou melhor, as pessoas terem limites sobre o trabalho para se evitar tragédias tão sem sentido como esta de Novo Hamburgo.
Todos nós, sem exceção, devemos valorizar mais o tempo do não-trabalho, que é o tempo que temos fora das empresas. É o tempo da família, do lazer, do esporte das relações sociais, pois o tempo é uma arte e é o mesmo para todos nós. Ninguém tem mais dos que as 24 horas do dia seja pobre, seja rico, seja intelectual, seja analfabeto,  seja homem, seja mulher, seja jovem, seja idoso,  seja estudante, seja trabalhador, enfim, qualquer um de nós tem rigorosamente o mesmo tempo. A arte é saber usá-lo com maestria.

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