domingo, 28 de dezembro de 2025

O LIVRO SUA MAJESTADE CXVIII (118) - O PASSEADOR DE LIVROS

 Começo com a seguinte expressão: 

Que livro!!!

"Dizem que os livros encontram seus leitores, mas às vezes é preciso que alguém lhes indique o caminho".

Já faz alguns anos que me interesso muito por livros que falam de livros. Esse meu interesse foi despertado basicamente por um livro, "Os livros que devoraram meu pai" seguido pela "Livraria Mágica de Paris".

Hoje vou falar do livro "O Passeador de Livros". Regalo de Natal da minha nora Grazi Fachim, não esperei um dia para começar a lê-lo, pois só de ver o título sabia que fazia parte dos meus preferidos. A Grazi acertou em cheio.

É um livro novo, escrito em 2020 e só chegou ao Brasil em 2022. Escrito pelo alemão Carsten Henn (1973 - ) em seguida tornou-se um livro traduzido em mais de 25 países.

A história se passa numa cidade interiorana da Alemanha onde uma livraria tradicional da cidade, tinha o Sr. Carl Kollhoff, de 72 anos, como o funcionário mais antigo que fazia pessoalmente entregas, na cidade, de livros adquiridos por alguns clientes. Como tudo vai se "modernizando" e com a aposentadoria do proprietário Sr. Gustav, assumiu a gerência a filha Sabine que não tinha aptidão literária e muito menos simpatia para a função. Sabine, muito antipática, começou a implicar com Carl, pois muitos clientes iam à livraria e só procuravam por ele. Ou seja, seu emprego começou a ficar ameaçado. Ou melhor, a sua vida começou a ficar ameaçada, pois era na livraria que trabalhou a vida toda.

Todos os dias Carl embrulhava cuidadosamente os livros e saía para as entregas. Carl tinha seus clientes preferidos aos quais dera um nove fantasia relacionado a algum personagem dos livros que lia. 

Entre eles o Mister Darcy, muito reservado morando em uma mansão; a sra. Effi que era espancada pelo marido (isso foi descoberto pelo livreiro); a irmã beneditina Amarílis, que resistia em abandonar o convento só habitado por ela; o Doutor Fausto que se dizia professor, embora nunca tinha pisando em uma universidade; mais um personagem curioso: O Leitor era um rapaz que trabalhava numa fábrica de charutos e sua função era passar 8 horas por dia lendo livros para os funcionários que trabalhavam na produção.

Enfim, cada personagem tinha suas preferências e Carl dava suas dicas para os novos livros a serem adquiridos. 

Um belo dia, no seu habitual trajeto, Carl é seguido por uma menina de 9 anos chamada Schascha. A menina queria acompanhá-los nas entregas o que Carl não permitiu inicialmente. Porém a insistência e a esperteza de Schascha demoveu Carl da negativa. A partir daí se formou uma amizade sólida e intensa entre os dois. No choque de gerações (embora Schascha gostasse de livros) um dia Carl disse a ela:

"Cada dia mais pessoas estão lendo menos. No entanto, existem pessoas dentro das páginas. É como se cada livro contivesse um coração que só começa a bater quando é lido, porque nosso coração o impulsiona."

Várias semanas se passaram até que um dia Schascha não apareceu para acompanhar Carl. Ele não sabia onde ela morava e ficou desesperado, pois ela simplesmente não apareceu mais. Carl começou a procurá-la em escolas, porém sem sucesso.

Ela um dia reapareceu (não vou contar como para não estragar o suspense da história). 

Pois bem, muitas aventuras se passam no decorrer da história, até Carl ser despedido da livraria por Sabine. A vida dele desaba.

Quando Schascha descobre, esperta como era, a história dá uma reviravolta incrível. Menina de coração gigantesco e generoso. O final da história é muito emocionante. Aos mais emotivos, como eu, leva às lágrimas.

É um livro genial, de leitura simples que traz incríveis reflexões sobre a leitura e chama que não podemos deixar apagar dos livros. Eu acrescento: dos livros físicos. Que tenhamos ainda, muitos passeadores de livros!

Para os amantes de livros (para os iniciantes também) é uma leitura imperdível.

Obrigado Grazi, pelo presente. Sabe aquele presente certeiro? Pois este é.

Professor Mario Mello


terça-feira, 23 de dezembro de 2025

O LIVRO SUA MAJESTADE CXVII (117) - MEDITAÇÕES

 O livro trata de anotações pessoais do Imperador Romano Marco Aurélio, que foram escritas entre os anos 170 e 180 d.C. Impressiona como essas anotações em sua maioria se aplicam até os dias de hoje.

Dividido em 12 chamados livros, a obra tornou-se um dos escritos mais reveladores e inspiradores a respeito do pensamento de um grande líder.

O livro não é propriamente uma obra literária ou filosófica, mais sim uma espécie de diário em que Marco Aurélio registrou reflexões registradas a si mesmo.

Marco Aurélio, ou Marcus Aurelius Antoninus, nasceu em 26 de abril de 121 d.C. foi um "homem bom". Ele foi um dos Imperadores mais cultos, inteligentes e estudioso em filosofia. Toda sua educação foi diversificada e obtida de professores particulares. Marco Aurélio nunca foi seduzido pelo poder para humilhar os mais fracos.

Após a morte do pai, Annius Verus, Marco Aurélio ficara aos cuidados da mãe e do avô paterno, mas ainda adolescente foi adotado pelo Imperador Antonino Pio e assim, como herdeiro, assumiu o governo do Império Romano aos 40 anos, em 162 d.C., após a morte de Antonino. O Imperador Antonino, pai adotivo de Marco Aurélio é considerado por muitos historiadores como o mais digno de todos os imperadores de Roma.

Marco Aurélio reinou de 161 d.C. a 180 d.C. Além dos horrores da guerra e do combate aos inimigos do Império, uma epidemia veio a ceifar a vida de seus comandados e soldados. Atingido por este mal, o devotado imperador, que jamais gozara de vigor físico, extenuado e condenado ao leito faleceu em 9 de abril de 180 d.C., deixando como principal marca a bondade de um imperador e a manutenção das fronteiras do poderoso Império Romano.

Estátua de Marco Aurélio em Roma
A postura filosófica de Marco Aurélio está sintetizada em três princípios:

1-Prática das virtudes, que significa repúdio aos vícios e ao mal em geral;

2-Devoção religiosa, culto aos deuses e obediência às leis;

3-Em todas ações virtuosas, ter em vista sempre o interesse da comunidade e não o individual.



Trago aqui algumas passagens que mais me chamaram a atenção no livro.

"Acolhe a alvorada já dizendo, antecipadamente, para ti mesmo: vou topar com o indiscreto, com o ingrato, com o insolente, com o pérfido, com o invejoso, com o insociável. Todas essas qualidades negativas lhes ocorrem por conta da sua ignorância do bem e do mal. Não sou capaz de enraivecer contra meu semelhante nem de odiá-lo, pois nascemos para mútua cooperação e assistência."

"Corpo, alma, inteligência, no corpo as sensações, na alma os impulsos, na inteligência os princípios."

"A melhor forma de se defender das pessoas hostis é não se tornar semelhante a elas."

"Nas ações, não haja de maneira precipitada nem de maneira lânguida ou negligente; nas conversas, não seja criador de confusão e de desentendimento; nas ideias não te desorientes perdendo a coerência; na tua alma, de modo algum, te contraias sob o peso das preocupações nem te distrais fugindo delas; e não ocupes tua vida inteira com negócios e dificuldades dispensando o ócio." 

"Tu és a combinação de três coisas nomeadamente: um corpo precário, um sopro de vida, uma inteligência. Dessas coisas, as duas primeiras só são tuas na medida em que te ocupes e te empenhes em cuidar delas; somente a terceira é propriamente tua, legitimamente tua."

Assim, o livro traz reflexões sobre as virtudes, a felicidade, a morte, as paixões e a harmonia com a natureza e a aceitação de suas leis. A personalidade de Marco Aurélio se impõe como marca de grandeza, coerência, benevolência e compreensão.

Como disse antes, não se trata de uma obra filosófica mas sim de uma obra atemporal e universal, pois todos os temas abordados continuam relevantes centenas de anos após a escrita.

Vale muito a pena a leitura!

Boa leitura!

Professor Mario Mello