Começo com a seguinte expressão:
Que livro!!!
"Dizem que os livros encontram seus leitores, mas às vezes é preciso que alguém lhes indique o caminho".
Já faz alguns anos que me interesso muito por livros que falam de livros. Esse meu interesse foi despertado basicamente por um livro, "Os livros que devoraram meu pai" seguido pela "Livraria Mágica de Paris".
Hoje vou falar do livro "O Passeador de Livros". Regalo de Natal da minha nora Grazi Fachim, não esperei um dia para começar a lê-lo, pois só de ver o título sabia que fazia parte dos meus preferidos. A Grazi acertou em cheio.
É um livro novo, escrito em 2020 e só chegou ao Brasil em 2022. Escrito pelo alemão Carsten Henn (1973 - ) em seguida tornou-se um livro traduzido em mais de 25 países.
A história se passa numa cidade interiorana da Alemanha onde uma livraria tradicional da cidade, tinha o Sr. Carl Kollhoff, de 72 anos, como o funcionário mais antigo que fazia pessoalmente entregas, na cidade, de livros adquiridos por alguns clientes. Como tudo vai se "modernizando" e com a aposentadoria do proprietário Sr. Gustav, assumiu a gerência a filha Sabine que não tinha aptidão literária e muito menos simpatia para a função. Sabine, muito antipática, começou a implicar com Carl, pois muitos clientes iam à livraria e só procuravam por ele. Ou seja, seu emprego começou a ficar ameaçado. Ou melhor, a sua vida começou a ficar ameaçada, pois era na livraria que trabalhou a vida toda.
Todos os dias Carl embrulhava cuidadosamente os livros e saía para as entregas. Carl tinha seus clientes preferidos aos quais dera um nove fantasia relacionado a algum personagem dos livros que lia.
Entre eles o Mister Darcy, muito reservado morando em uma mansão; a sra. Effi que era espancada pelo marido (isso foi descoberto pelo livreiro); a irmã beneditina Amarílis, que resistia em abandonar o convento só habitado por ela; o Doutor Fausto que se dizia professor, embora nunca tinha pisando em uma universidade; mais um personagem curioso: O Leitor era um rapaz que trabalhava numa fábrica de charutos e sua função era passar 8 horas por dia lendo livros para os funcionários que trabalhavam na produção.
Enfim, cada personagem tinha suas preferências e Carl dava suas dicas para os novos livros a serem adquiridos.
Um belo dia, no seu habitual trajeto, Carl é seguido por uma menina de 9 anos chamada Schascha. A menina queria acompanhá-los nas entregas o que Carl não permitiu inicialmente. Porém a insistência e a esperteza de Schascha demoveu Carl da negativa. A partir daí se formou uma amizade sólida e intensa entre os dois. No choque de gerações (embora Schascha gostasse de livros) um dia Carl disse a ela:"Cada dia mais pessoas estão lendo menos. No entanto, existem pessoas dentro das páginas. É como se cada livro contivesse um coração que só começa a bater quando é lido, porque nosso coração o impulsiona."
Várias semanas se passaram até que um dia Schascha não apareceu para acompanhar Carl. Ele não sabia onde ela morava e ficou desesperado, pois ela simplesmente não apareceu mais. Carl começou a procurá-la em escolas, porém sem sucesso.
Ela um dia reapareceu (não vou contar como para não estragar o suspense da história).
Pois bem, muitas aventuras se passam no decorrer da história, até Carl ser despedido da livraria por Sabine. A vida dele desaba.
Quando Schascha descobre, esperta como era, a história dá uma reviravolta incrível. Menina de coração gigantesco e generoso. O final da história é muito emocionante. Aos mais emotivos, como eu, leva às lágrimas.
É um livro genial, de leitura simples que traz incríveis reflexões sobre a leitura e chama que não podemos deixar apagar dos livros. Eu acrescento: dos livros físicos. Que tenhamos ainda, muitos passeadores de livros!
Para os amantes de livros (para os iniciantes também) é uma leitura imperdível.
Obrigado Grazi, pelo presente. Sabe aquele presente certeiro? Pois este é.
Professor Mario Mello