sexta-feira, 12 de setembro de 2025

O LIVRO SUA MAJESTADE CXVI (116) - O TESOURO DO ARROIO DO CONDE

 O livro dificilmente é apenas o livro em si. Cada leitor normalmente tem uma história para adquirir um exemplar.

Muitas vezes é uma indicação de um amigo, outras vezes é a inquietação do título, ainda pode ser a época em que foi escrito, pode também ser pelo autor renomado, enfim, por vários motivos.

Pois bem, este livro que trago hoje, estava citado em outro livro cujo personagem o tinha como "uma relíquia" pela situação que ele conheceu o livro. Lendo este outro livro chamado "Histórias escritas com giz", de Vitor Biasoli, fiquei muito curioso sobre "O tesouro do Arroio do Conde" e comecei a procurá-lo na internet, em vários sebos, pois ele foi escrito em 1933 por Aurélio Porto.

Esta é uma das "graças" deste mundo da literatura. Garimpar livros, muitas vezes aleatórios mas que têm um valor imenso quando conseguimos nosso intento. E, mais ainda quando a história é boa. É o caso do Tesouro do Arroio do Conde. O livro ainda traz ilustrações quase que infantis, mas todas com muito sentido.

É uma novela histórica do Rio Grande do Sul. Consegui em um sebo, uma versão adaptada por Barbosa Lessa, escritor e historiador gaúcho publicada em 1986.

A história se passa no tempo em que portugueses e espanhóis disputam terras no sul do Brasil e Uruguai. O cenário é em Porto Alegre, Rio Pardo, Charqueadas  e no Arroio do Conde, que é um rio que desagua no Guaíba.

Com vários personagens importantes, chama a atenção alguns deles: Na casa sede da Estância Santa Isabel, havia riqueza e muita fartura nas charqueadas de Manuel Bento e Dona Isabel. Porém o casal não era totalmente feliz, pois não conseguia ter filhos. Assim, numa noite de setembro de 1762, Dona Isabel despertou com um chorinho de bebê, deixado na soleira da porta. Era uma menina que foi batizada com o nome de Maria Teresa, nossa protagonista da história.

Dona Isabel de tão agradecida, sem contar para ninguém, retirou de seus pertences um velho cofre e foi escondê-lo numa parede falsa da capela da estância. Regularmente Dona Isabel, guardava jóias e ouro, no cofre escondido para garantir o futuro de Maria Teresa, pois as guerras eram constantes.

E assim, Maria Tereza foi crescendo e seu cofre aumentando de valor, sem ela saber de nada.

No decorrer da história entram na vida de Maria Teresa um vizinho, José Raimundo, que se transformou num bandido, para vergonha de sua mãe. José Raimundo se apaixonou por Maria Teresa que o renegou, pois estava apaixonada pelo Tenente Paulo Caetano.

O final da história, que obviamente não vou aqui contar para não estragar a leitura de quem conseguir o livro, está relacionado a esses três personagens. O final é surpreendente deste clássico gaúcho.

Onde foi parar o tesouro? 

Pois até hoje esta lenda persiste pelas bandas do Arroio do Conde.

Fiquei encantado e emocionado com a história. Valeu a pena correr atrás deste livro.

Professor Mario Mello